A realização da 37ª Expoagro de Rolim de Moura, entre os dias 4 e 9 de agosto de 2026, voltou ao centro das discussões após a divulgação do montante destinado à Associação Rural de Rolim de Moura (ASROLIM) para execução do evento. A entidade recebeu R$ 2.498.335,00, provenientes de emenda parlamentar, ao mesmo tempo em que comercializou passaportes antecipados por até R$ 250 e manteve duas noites com cobrança de ingresso.
- Recursos públicos ampliam pedidos por transparência
- Passaportes chegaram a R$ 250 antes de quatro dias gratuitos
- Compradores questionam ausência de premiações
- Alimentação, bebidas e parque também foram criticados
- Transporte de até R$ 70 também entrou nas reclamações
- Quase R$ 2,5 milhões exigem prestação de contas clara
- Espaço aberto à ASROLIM
O recurso foi destinado à associação, inscrita no CNPJ nº 05.706.676/0001-19, para execução do projeto da 37ª edição, conforme as metas previstas no Plano de Trabalho nº 74903568.
Os atos administrativos foram autorizados pelo secretário-adjunto de Estado da Juventude, Cultura, Esporte e Lazer, Allen Luna Neres dos Santos, no âmbito da Sejucel.
O valor, próximo de R$ 2,5 milhões, tornou-se um dos principais pontos de questionamento após o encerramento da feira, especialmente porque a organização também obteve receitas próprias por meio da comercialização de ingressos, espaços e demais atividades relacionadas ao evento.
Antes da abertura, os passaportes foram vendidos em diferentes lotes e chegaram ao valor de R$ 250.
A programação divulgada aos consumidores incluía shows nacionais como Leonardo, Diego & Arnaldo, Bruno & Marrone e Ana Castela, levando parte do público a adquirir antecipadamente o acesso considerando o conjunto de atrações anunciadas.
No dia do início da feira, quatro dos seis dias passaram a ter entrada gratuita.
Com isso, apresentações como Leonardo e Diego & Arnaldo puderam ser acompanhadas gratuitamente pelo público, enquanto apenas duas noites permaneceram com cobrança de ingresso.
A mudança gerou insatisfação entre compradores que já haviam pago pelo acesso antecipado, especialmente entre aqueles que afirmam ter realizado a compra justamente para assistir aos artistas que posteriormente tiveram entrada liberada.
Recursos públicos ampliam pedidos por transparência
O repasse de R$ 2.498.335,00 não significa, isoladamente, qualquer irregularidade na realização da exposição ou na cobrança de ingressos.
O ponto que passou a ser questionado por parte da população é a necessidade de transparência sobre como o dinheiro público foi aplicado e qual foi a arrecadação obtida paralelamente pela organização.
Com o encerramento do evento, moradores passaram a cobrar informações sobre quais despesas foram pagas com o recurso estadual, quanto foi utilizado na contratação de artistas, estrutura, segurança, sonorização, iluminação, rodeio, logística e demais serviços.
Também existem questionamentos sobre quanto a associação arrecadou com a venda antecipada dos passaportes, ingressos individuais, exploração de espaços comerciais, publicidade e outras receitas geradas durante os seis dias da exposição.
Esses números são fundamentais para que a população compreenda o custo real da festa e a participação dos recursos públicos no orçamento total.
Passaportes chegaram a R$ 250 antes de quatro dias gratuitos
Outro ponto que permanece sob questionamento envolve a política adotada para os compradores antecipados.
Os passaportes chegaram a ser comercializados pelo mesmo valor de R$ 250, antes de a organização anunciar que quatro dias teriam portões abertos.
Na prática, somente duas noites permaneceram pagas.
Consumidores relatam que essa mudança reduziu significativamente a vantagem de quem comprou antecipadamente, principalmente porque duas das grandes atrações nacionais inicialmente associadas à programação passaram a ser gratuitas.
Frequentadores também afirmaram que, no sábado (8), durante o show de Ana Castela, o ingresso individual chegou a ser comercializado por aproximadamente R$ 250.
Compradores questionam ausência de premiações
Outro aspecto citado por consumidores é a falta de premiações vinculadas aos passaportes nesta edição.
Em anos anteriores, compradores também concorriam a prêmios, agregando um benefício adicional à aquisição antecipada.
Na edição de 2026, frequentadores afirmam que esse modelo não foi mantido.
Com a retirada das premiações e a posterior gratuidade de quatro noites, parte do público passou a questionar qual foi efetivamente a vantagem oferecida ao consumidor que desembolsou até R$ 250 antes do evento.
A ASROLIM pode esclarecer se havia algum outro benefício destinado aos compradores e quais critérios foram utilizados para definir a política comercial da edição deste ano.
Alimentação, bebidas e parque também foram criticados
Os gastos não se limitaram aos ingressos.
Durante a exposição, frequentadores relataram valores considerados elevados dentro do parque.
Uma lata de cerveja teria sido vendida por preços entre R$ 8 e R$ 10, enquanto consumidores apontam valores próximos de R$ 4 no comércio convencional, dependendo da marca e do estabelecimento.
Também houve reclamações sobre preços de pastéis, drinks, refeições e brinquedos do parque de diversões.
Para famílias que permaneceram várias horas no evento, a soma dessas despesas elevou significativamente o custo de participação na festa.
É necessário, porém, diferenciar os valores definidos diretamente pelos comerciantes daqueles eventualmente relacionados a taxas, aluguéis ou regras estabelecidas pela organização.
Esse é outro ponto que pode ser esclarecido pela entidade responsável.
Transporte de até R$ 70 também entrou nas reclamações
O transporte durante os seis dias da exposição também foi alvo de críticas.
Usuários relataram corridas dentro de Rolim de Moura chegando a aproximadamente R$ 70, principalmente em horários de maior fluxo.
Durante o evento, houve organização específica para transporte por aplicativo e outros prestadores, inclusive com divulgação de tabela de valores.
Parte dos consumidores questiona qual foi a participação da organização da feira na elaboração dessa tabela e quais critérios foram utilizados para estabelecer os preços.
A associação pode detalhar se apenas disponibilizou espaço e estrutura para embarque e desembarque ou se participou efetivamente da definição dos valores praticados.
Quase R$ 2,5 milhões exigem prestação de contas clara
Após o encerramento da exposição, o principal debate deixou de ser apenas a qualidade dos shows ou a estrutura oferecida e passou a envolver também transparência financeira.
O volume de dinheiro público destinado ao projeto torna legítimo o interesse da sociedade em conhecer detalhadamente a aplicação dos recursos.
Entre as perguntas que permanecem estão:
- Quanto custou integralmente a 37ª edição?
- Quanto dos R$ 2.498.335,00 foi efetivamente utilizado?
- Quais serviços e contratos foram pagos com esse recurso?
- Quanto foi arrecadado com passaportes e ingressos?
- Quantos acessos antecipados foram comercializados em cada lote?
- Quanto foi arrecadado com espaços comerciais e outras receitas?
- Houve saldo financeiro após a realização do evento?
- Existe previsão de publicação de prestação de contas detalhada?
Essas informações podem esclarecer de maneira objetiva a relação entre dinheiro público, receitas próprias e despesas da feira.
Espaço aberto à ASROLIM
O Rondônia Direto mantém espaço aberto à Associação Rural de Rolim de Moura para apresentar documentos, números e esclarecimentos relacionados à realização da 37ª Expoagro.
A entidade pode informar a destinação dos R$ 2.498.335,00, detalhar os custos da programação, apresentar a arrecadação proveniente de passaportes e ingressos e explicar a decisão de liberar gratuitamente quatro dos seis dias.
Também permanece aberto o espaço para esclarecimentos sobre premiações, valores internos, exploração comercial e organização do transporte durante o evento.
Caso a associação entenda que houve falha de comunicação com os compradores ou qualquer situação que tenha causado prejuízo ou insatisfação ao público, o portal também disponibiliza espaço para eventual manifestação ou pedido de desculpas.
A publicação de uma prestação de contas detalhada poderá encerrar parte dos questionamentos e permitir que a população avalie, com base em números oficiais, como foram empregados os recursos destinados à maior feira agropecuária de Rolim de Moura.




