A morte de Jamili Tainá Silvestre Alves, de 27 anos, após uma cesariana realizada no Hospital Regional de Vilhena (HRV), em Rondônia, provocou questionamentos sobre a assistência médica prestada à paciente. O caso ocorreu no sábado (17), poucas horas depois do nascimento de sua primeira filha.
O marido da vítima, o caminhoneiro Jhones Marcos Barbosa, de 34 anos, relatou ao portal Folha do Sul On Line uma sequência de acontecimentos que, segundo ele, precisam ser investigados para esclarecer as circunstâncias da morte da esposa.
A Santa Casa de Chavantes, responsável pela administração do hospital por meio do Grupo Chavantes, informou que abriu uma sindicância interna para apurar os procedimentos adotados durante o atendimento.
Gestante desejava parto normal
Segundo o relato do marido ao Folha do Sul On Line, Jamili estava com mais de 40 semanas de gestação e havia manifestado ao médico responsável pelo acompanhamento o desejo de ter a filha por parto normal.
O casal teria conversado com o profissional sobre a possibilidade de indução do trabalho de parto, já que a gestante não apresentava dilatação suficiente. Conforme o entrevistado, os exames realizados até aquele momento não indicavam riscos aparentes para a mãe ou para a bebê.
Ainda de acordo com Jhones, foram realizadas três aplicações de medicamentos para estimular o parto, mas a dilatação não evoluiu como esperado, enquanto as dores aumentavam.
Antes de uma quarta aplicação, o médico teria decidido realizar uma cesariana. Entretanto, após a saída do profissional do quarto, a bolsa da gestante se rompeu e ela sofreu um desmaio.
Marido relata dificuldades para realização da cesariana
O caminhoneiro afirmou que a esposa apresentou uma segunda perda de consciência e que, naquele momento, profissionais de enfermagem teriam informado a ausência de vaga e de anestesista disponível para a realização do procedimento.
Segundo ele, o obstetra responsável considerou a situação uma emergência.
Jamili foi encaminhada para a cirurgia após as 23h de sexta-feira (16).
Durante o nascimento, a recém-nascida, chamada Luísa Alves Barbosa, teria apresentado dificuldades respiratórias e precisado ser reanimada. Posteriormente, um médico informou ao pai que a criança estava bem.
O marido também relatou ter encontrado sangue e materiais ensanguentados ao entrar no ambiente onde a esposa havia sido atendida. Trata-se de uma percepção descrita pelo entrevistado, sem confirmação independente sobre eventuais inadequações das condições do local.
Paciente sofreu paradas cardiorrespiratórias e morreu no sábado
Conforme o relato apresentado pelo marido, Jamili teria enfrentado um quadro de hemorragia, convulsões e duas paradas cardiorrespiratórias após o parto.
Na manhã de sábado (17), a paciente foi intubada e transferida para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
Apesar dos procedimentos realizados, ela morreu no final da tarde do mesmo dia.
Jhones questiona a assistência prestada à esposa e pede uma investigação para esclarecer se houve demora no atendimento, falhas nos procedimentos ou outras circunstâncias que possam ter contribuído para o desfecho.
As suspeitas apresentadas pelo marido ainda não constituem comprovação de negligência médica. A identificação das causas da morte e de eventuais responsabilidades depende da análise dos prontuários, dos procedimentos adotados e dos resultados das investigações.
Hospital confirma abertura de sindicância interna
Em nota oficial divulgada após o caso, a Santa Casa de Chavantes, responsável pela gestão do Hospital Regional de Vilhena, manifestou condolências à família e informou a adoção de medidas administrativas para investigar o atendimento.
Segundo a instituição, o marido da paciente foi acolhido pela equipe no domingo, ocasião em que apresentou seu relato sobre os acontecimentos.
O Grupo Chavantes informou que determinou, na segunda-feira, a abertura de uma sindicância interna para apuração dos procedimentos realizados.
A administração também declarou que iniciou a escuta dos profissionais envolvidos e que o prontuário e o atendimento estão sendo analisados preliminarmente pela Comissão de Revisão de Óbito.
Após essa etapa, o processo deverá ser encaminhado à Comissão de Ética Médica, responsável pela avaliação das condutas profissionais.
A instituição afirmou que, caso sejam identificadas falhas assistenciais ou condutas inadequadas, serão adotadas as medidas cabíveis.
Na manifestação reproduzida pelo Folha do Sul On Line, não foi esclarecido se o Conselho Regional de Medicina de Rondônia (Cremero) havia sido formalmente comunicado sobre o caso.
Familiares e amigos pedem justiça nas redes sociais
A morte de Jamili também motivou a circulação de uma campanha nas redes sociais e em grupos de WhatsApp pedindo esclarecimentos sobre o atendimento prestado à paciente.
A publicação utiliza a expressão “Justiça por Jamilly”, embora o marido tenha esclarecido ao veículo que a grafia correta do nome da esposa é Jamili.
A mensagem, atribuída a amigos e familiares, solicita uma investigação séria, transparente e independente, além da responsabilização de eventuais envolvidos caso sejam comprovadas irregularidades.
Jhones afirmou não ter participado da elaboração ou divulgação da campanha.
Caso aguarda esclarecimentos
A morte da jovem mãe, que trabalhava no setor de vendas de uma empresa em Vilhena, deixa uma família em busca de respostas sobre o que ocorreu durante o atendimento hospitalar.
A sindicância anunciada pelo Grupo Chavantes deverá analisar a sequência dos procedimentos e as circunstâncias clínicas relacionadas ao caso.
Até a divulgação de conclusões oficiais, não é possível determinar se houve erro médico, negligência ou falha assistencial.

Fonte: Informações e entrevista publicadas pelo portal Folha do Sul On Line, com reprodução da nota oficial da Santa Casa/Grupo Chavantes.




