A Justiça de Rondônia decidiu que o ex-secretário municipal de Saúde de Espigão do Oeste e policial militar reformado Eduardo Bezerra da Cruz, além de um segundo acusado, deverão ser julgados pelo Tribunal do Júri pela morte do biólogo Ismael Graunke, de 32 anos. O crime ocorreu em agosto de 2017, na zona rural do município, e a acusação sustenta que o homicídio teria sido planejado após um conflito envolvendo um relacionamento extraconjugal.
A decisão de pronúncia foi assinada pelo juiz Hugo Soares, aproximadamente nove anos depois do assassinato. Os dois acusados respondem ao processo em liberdade e ainda não há data informada para o julgamento. Cabe recurso contra a decisão.
Segundo a denúncia, Eduardo teria contratado um homem para matar Ismael, oferecendo R$ 1 mil pela execução. O ex-secretário nega ter ordenado o crime, enquanto o segundo acusado também contesta a versão apresentada pela acusação.
Biólogo foi encontrado morto às margens de estrada rural
Ismael Graunke foi encontrado sem vida em 2 de agosto de 2017, nas proximidades da Linha Bandara, a aproximadamente cinco quilômetros da área urbana de Espigão do Oeste.
O corpo estava às margens de uma estrada rural e apresentava duas perfurações provocadas por disparos de arma de fogo.
Um morador que passava pela região acionou a Polícia Militar após perceber um homem caído próximo à via. Quando as equipes chegaram, o biólogo já não apresentava sinais vitais.
Nos primeiros levantamentos, a polícia considerou a possibilidade de latrocínio, uma vez que o veículo da vítima havia sido retirado do local.
A Perícia Técnica de Cacoal foi acionada para realizar os procedimentos necessários. Posteriormente, a investigação passou a considerar a hipótese de homicídio planejado.
Investigação apontou possível motivação ligada a relacionamento extraconjugal
De acordo com a apuração realizada pela Polícia Civil na época, Eduardo Bezerra da Cruz e Ismael Graunke mantinham um relacionamento amoroso que não era conhecido publicamente.
Conforme a denúncia, o biólogo teria ameaçado revelar à esposa do então secretário imagens íntimas relacionadas ao envolvimento entre os dois.
A acusação sustenta que o receio da exposição pública teria motivado o planejamento do assassinato.
Os autos também mencionam que Eduardo e Ismael costumavam se encontrar em uma área de vegetação próxima à estrada Bela União, fora da cidade.
Ainda segundo a denúncia, o ex-secretário teria procurado um homem de outro município e oferecido R$ 1 mil para que ele matasse o biólogo.
Para permitir o reconhecimento da vítima, Eduardo teria mostrado uma fotografia de Ismael no celular e entregue ao suposto executor um revólver calibre .38.
Essas circunstâncias integram a versão apresentada pela acusação e deverão ser examinadas pelo Tribunal do Júri.
Acusação afirma que atirador esperou vítima escondido na mata
A reconstrução apresentada no processo indica que o homem apontado como executor teria permanecido aproximadamente 40 minutos escondido em uma área de vegetação, aguardando a chegada de Ismael.
Segundo a acusação, o biólogo tentou fugir ao perceber o ataque, mas foi atingido por disparos pelas costas.
Mesmo ferido, ele teria conseguido alcançar a estrada antes de cair e morrer.
A motocicleta supostamente utilizada pelo atirador foi encontrada posteriormente, limpa e sem impressões digitais, conforme as informações reunidas na investigação.
O crime provocou repercussão em Espigão do Oeste, e tanto Eduardo quanto o homem apontado como autor dos disparos chegaram a ser presos ainda em 2017.
Acusados negam participação em homicídio planejado
Eduardo Bezerra da Cruz nega ter determinado a morte de Ismael.
Embora tenha admitido, em depoimento anterior, a existência de um relacionamento extraconjugal e homoafetivo com o biólogo, o ex-secretário sustenta que não participou de qualquer plano para assassiná-lo.
O acusado também relatou ter sido alvo de chantagem relacionada à possibilidade de divulgação de imagens íntimas.
Já o homem apontado como autor dos disparos afirma que agiu em legítima defesa.
As versões apresentadas pelos acusados divergem da narrativa da denúncia e deverão ser avaliadas durante o julgamento.
Justiça determina julgamento pelo Tribunal do Júri
Após aproximadamente nove anos de tramitação, o juiz Hugo Soares proferiu decisão de pronúncia, determinando que Eduardo Bezerra da Cruz e o segundo acusado sejam submetidos ao Tribunal do Júri.
A pronúncia é a etapa processual em que a Justiça reconhece a existência de elementos suficientes para encaminhar uma acusação de crime doloso contra a vida ao julgamento popular.
A decisão não representa condenação nem reconhecimento definitivo de culpa. Caberá aos jurados analisar as provas e as versões apresentadas pela acusação e pelas defesas.
Atualmente, os dois acusados respondem ao processo em liberdade.
Ainda não foi divulgada uma data para a realização do júri, e a decisão do magistrado poderá ser contestada por meio de recurso.



