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Delegada suspeita de favorecer o PCC ficará em cela especial após prisão em Brasília

Redação Rondônia Direto
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Delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto ao lado de viatura durante atuação policial. (Foto: Instagram)

A delegada Maria Virgínia Grimwood Pinto, da Polícia Civil do Pará, permanecerá em uma cela especial da Polícia Civil do Distrito Federal após ser presa durante uma investigação sobre o suposto repasse de informações sigilosas ao Primeiro Comando da Capital (PCC). A medida foi definida após audiência de custódia, conforme as informações divulgadas sobre o caso.

A policial ficará inicialmente na carceragem do Departamento de Polícia Especializada (DPE), sob responsabilidade da Divisão de Controle e Custódia de Presos (DCCP). A previsão é de que seja transferida para Pernambuco nos próximos dias, estado onde tramita a investigação e foi expedido o mandado de prisão.

Maria Virgínia é investigada por suspeita de receber vantagens financeiras para fornecer informações restritas e facilitar a atuação de integrantes da organização criminosa. As apurações também apontam um possível relacionamento amoroso entre a delegada e Renato Henrique do Carmo, conhecido como “Gordão”, identificado pelas autoridades como uma liderança do PCC.

Delegada permanecerá sob custódia da Polícia Civil

A permanência de Maria Virgínia em uma cela especial foi definida após a audiência de custódia realizada no Distrito Federal.

Segundo as informações divulgadas, a medida considera as disposições da Lei Orgânica da corporação e permite que a investigada permaneça sob responsabilidade da Polícia Civil, sem transferência imediata para uma unidade prisional feminina comum.

A custódia será mantida inicialmente no Departamento de Polícia Especializada, enquanto são realizados os procedimentos necessários para o deslocamento da delegada a Pernambuco.

A previsão de transferência está relacionada ao fato de o mandado de prisão ter sido expedido pela Justiça pernambucana, responsável pelas medidas judiciais da investigação.

A condição especial de custódia não representa absolvição nem interfere, por si só, na apuração das suspeitas atribuídas à policial.

Investigação aponta relacionamento com homem identificado como líder do PCC

Maria Virgínia foi presa em um hotel localizado no Setor Hoteleiro Norte, em Brasília, durante uma ação policial relacionada à Operação Sinalagma.

A investigação aponta que a delegada manteria um relacionamento amoroso com Renato Henrique do Carmo, conhecido como Gordão.

Ele é identificado pelas autoridades como uma liderança do PCC com atuação na região de Muro Alto, no município de Ipojuca, litoral de Pernambuco.

Conforme as informações divulgadas, Renato havia sido preso em janeiro de 2025, durante uma fase anterior da investigação, e posteriormente colocado em liberdade.

Na nova etapa da operação, ele teria sido preso em um resort de luxo na região de Recife.

Os investigadores buscam esclarecer se o relacionamento entre os dois teria sido utilizado para facilitar o acesso da organização criminosa a informações e estruturas da segurança pública.

Delegada é suspeita de receber R$ 50 mil em propina

Uma das principais suspeitas investigadas é a de que Maria Virgínia teria recebido aproximadamente R$ 50 mil em vantagens financeiras indevidas.

Em contrapartida, ela teria fornecido informações confidenciais, oferecido proteção institucional e facilitado o acesso a sistemas restritos de segurança pública.

As autoridades apuram se essas condutas beneficiaram integrantes do PCC e comprometeram informações relacionadas às atividades policiais.

A possível participação da delegada foi identificada durante o aprofundamento das investigações sobre Renato Henrique e outros suspeitos ligados à organização criminosa.

As acusações ainda estão sob investigação e não representam condenação definitiva.

Operação investiga movimentação superior a R$ 14 milhões

A Operação Sinalagma, conduzida pela Polícia Civil de Pernambuco, investiga uma suposta estrutura interestadual envolvida em tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, corrupção e ocultação de patrimônio.

Segundo as informações da investigação, o esquema financeiro atribuído ao grupo teria movimentado mais de R$ 14 milhões.

As autoridades identificaram indícios de utilização de empresas de fachada, documentos falsificados e contas bancárias de terceiros para movimentar recursos e dificultar o rastreamento do dinheiro.

A apuração também considera a possível atuação de agentes públicos que teriam recebido pagamentos para facilitar atividades da organização criminosa.

O nome Sinalagma faz referência ao conceito jurídico relacionado à reciprocidade de obrigações, utilizado na operação para representar a suspeita de troca de vantagens financeiras por facilidades indevidas.

Celular de investigado ajudou a identificar possíveis conexões

A análise de um aparelho celular apreendido durante a primeira prisão de Renato Henrique, em janeiro de 2025, foi apontada como um dos elementos relevantes para o avanço da investigação.

O dispositivo passou por perícia telemática autorizada judicialmente, permitindo aos investigadores examinar informações que poderiam revelar vínculos entre integrantes do grupo e outras pessoas.

Os levantamentos também utilizaram dados de inteligência e Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf).

Com base nesses elementos, as autoridades aprofundaram as suspeitas de corrupção ativa e passiva, violação de sigilo funcional, lavagem de dinheiro e participação em organização criminosa.

Transferência para Pernambuco deve ocorrer após procedimentos no DF

Com a custódia estabelecida no Distrito Federal, as autoridades trabalham nos procedimentos necessários para a transferência de Maria Virgínia a Pernambuco.

A investigação permanece sob responsabilidade dos órgãos envolvidos na Operação Sinalagma, que buscam esclarecer a participação individual dos suspeitos e identificar outros possíveis beneficiários do esquema.

Não foi informada uma data definitiva para a transferência da delegada.

O material disponibilizado também não apresenta manifestação da defesa de Maria Virgínia sobre as suspeitas. O espaço permanece aberto para esclarecimentos.

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