A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Rondônia (FICCO/RO) deflagrou, nesta sexta-feira (16), a Operação Dissolução, com o objetivo de desarticular uma célula de organização criminosa investigada por controlar um conjunto residencial popular na Zona Sul de Porto Velho. A ação prevê o cumprimento de 23 mandados de prisão temporária e 18 mandados de busca e apreensão, em Porto Velho e Alto Paraíso.
A operação conta com o apoio das polícias Civil e Militar e tem como alvos integrantes de um grupo suspeito de manter pontos de venda de drogas, vigilância armada e controle sobre a circulação de moradores e visitantes no residencial.
Segundo as investigações, a organização também estaria envolvida em homicídios consumados e tentados, extorsões, tráfico de drogas, porte ilegal de armas de fogo e restrição da liberdade de pessoas. Os crimes investigados ocorreram principalmente entre 2024 e 2025.
As ordens judiciais foram expedidas pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho, vinculada ao Tribunal de Justiça de Rondônia.
Facção teria imposto controle armado sobre moradores
As investigações apontam que o grupo criminoso estabeleceu uma estrutura de domínio territorial dentro de um residencial popular localizado na Zona Sul da capital.
De acordo com a FICCO/RO, integrantes da organização mantinham pontos de comercialização de entorpecentes e um sistema de vigilância armada para controlar a área.
A atuação também incluía o monitoramento da entrada e saída de moradores e visitantes, restringindo a circulação de pessoas no local.
A polícia investiga a utilização dessa estrutura para manter o controle sobre o território e facilitar outras atividades criminosas.
O nome do residencial não foi informado no comunicado da operação.
Organização mantinha divisão de funções e arrecadação do tráfico
A apuração identificou indícios de uma estrutura organizada, com integrantes responsáveis por diferentes atividades dentro da facção.
Entre as funções investigadas estavam a guarda de armas de fogo, a arrecadação de dinheiro proveniente do tráfico de drogas e o repasse dos valores à liderança do grupo.
A organização também contaria com pessoas encarregadas da vigilância, conhecidas como olheiros, além de executores e responsáveis pela administração dos pontos de venda de entorpecentes.
Segundo a investigação, esses integrantes prestavam contas periodicamente à cúpula da facção.
Outro elemento identificado foi a existência de responsáveis pela aplicação de punições internas, chamadas de disciplinas, utilizadas pela organização para impor suas próprias regras.
Polícia investiga ataques contra facção rival em 2024
Uma das frentes da Operação Dissolução busca esclarecer a participação do braço armado do grupo em episódios de violência registrados em Porto Velho.
Conforme a FICCO/RO, os investigadores reuniram indícios de que integrantes da célula criminosa teriam participado de ataques contra membros de uma organização rival.
Esses episódios estariam relacionados à escalada de violência registrada na capital durante o segundo semestre de 2024.
A investigação também identificou suspeitas de que integrantes em liberdade mantinham comunicação e coordenação com pessoas recolhidas ao sistema prisional.
Essa ligação teria permitido a continuidade de atividades criminosas e o repasse de orientações entre diferentes integrantes da organização.
Justiça autoriza 41 mandados em Porto Velho e Alto Paraíso
A operação foi autorizada pela 1ª Vara de Garantias da Comarca de Porto Velho, que expediu 41 ordens judiciais.
Do total, 23 são mandados de prisão temporária e 18 são mandados de busca e apreensão domiciliar.
As diligências ocorrem na capital e no município de Alto Paraíso, no interior de Rondônia.
As prisões temporárias têm finalidade investigativa e não representam condenação dos envolvidos.
O comunicado não informa quantas pessoas haviam sido efetivamente presas até o momento da divulgação da operação, nem apresenta um balanço dos materiais apreendidos.
FICCO reúne forças de segurança no combate ao crime organizado
A Força Integrada de Combate ao Crime Organizado em Rondônia reúne diferentes instituições de segurança pública para desenvolver investigações e operações conjuntas.
A estrutura é composta pela Polícia Federal, Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Penal Estadual e Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen).
A atuação integrada permite o compartilhamento de informações e a realização de ações coordenadas contra organizações criminosas com atividades na capital e no interior do estado.
A população pode colaborar com as investigações por meio de denúncias sobre tráfico de drogas, atuação de facções e localização de pessoas procuradas pela Justiça.
As informações podem ser encaminhadas ao Disque-Denúncia 197, da Polícia Civil, com garantia de sigilo da identidade do denunciante.



