Um vídeo gravado durante o período de pré-campanha ao Governo de Rondônia voltou a ganhar relevância após Marcos Rogério (PL) ser eleito governador do Estado no primeiro turno das Eleições 2026. Na gravação, ele responde diretamente a uma cobrança feita pelo vereador e presidente da Câmara Municipal de Rolim de Moura, Ivan Vasconcelos, sobre a necessidade de transformar o Hospital Municipal em uma unidade regional efetivamente mantida e administrada pelo Estado.
A manifestação de Ivan ocorreu antes da eleição. No vídeo, o vereador criticou a situação da saúde pública e lançou um desafio aos então pré-candidatos ao Governo de Rondônia para que apresentassem seus planos para o setor.
“O povo está cansado de promessa. Já está no limite”, afirmou Ivan, ao questionar se o Hospital de Rolim de Moura constava nos planos dos candidatos para se tornar um hospital regional estadual.
Hospital atende a região, mas continua sendo municipal
Apesar de exercer papel importante no atendimento da Zona da Mata, o Hospital Municipal Amélio João da Silva não é atualmente um hospital estadual. A unidade pertence à estrutura de saúde do Município de Rolim de Moura e aparece no Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES) como hospital geral de gestão municipal, tendo o próprio Município de Rolim de Moura como responsável.
Na prática, entretanto, sua atuação ultrapassa os limites do município. Documentos da própria Prefeitura descrevem a unidade como referência de atendimento para Rolim de Moura e municípios circunvizinhos da Zona da Mata. Em serviços descentralizados, o hospital também recebe demandas regionais, enquanto o município continua responsável por parte significativa da estrutura e do custeio.
É justamente essa diferença que está no centro da cobrança: não se trata apenas de reconhecer o Hospital de Rolim de Moura como referência regional, mas de estadualizar a unidade, transformando-a de fato em um Hospital Regional sob responsabilidade do Governo de Rondônia.
A reivindicação não é isolada. Em março de 2025, durante visita do então vice-governador e do secretário estadual de Saúde a Rolim de Moura, a vereadora Janete Lins também pediu formalmente que o Estado assumisse o hospital. Na ocasião, a Câmara informou que a unidade atendia pacientes de outros sete municípios da Zona da Mata e que a manutenção dessa demanda regional pressionava a estrutura municipal.
Marcos Rogério respondeu ao desafio
Na época senador e pré-candidato ao Governo, Marcos Rogério respondeu diretamente ao presidente da Câmara.
“Presidente Ivan, vereador da cidade de Rolim de Moura. Eu recebi o vídeo e recebi também o desafio que você fez aos pré-candidatos do Estado de Rondônia”, disse.
Na resposta, Marcos Rogério defendeu uma mudança na estrutura do atendimento estadual, com maior descentralização dos serviços de saúde.
“Nós temos um plano como pré-candidato a governador para a saúde do Estado de Rondônia, que precisa de um hospital de urgência e emergência em Porto Velho, que não saiu do papel”, declarou.
Segundo ele, parte dos pacientes encaminhados à capital poderia receber atendimento mais próximo de seus municípios. No vídeo, Marcos Rogério afirmou que 70% dos pacientes enviados a Porto Velho para exames ou procedimentos cirúrgicos poderiam ser atendidos perto de casa, em unidades de retaguarda.
Marcos Rogério citou diretamente Hospital de Rolim de Moura
Ao responder à cobrança de Ivan Vasconcelos, Marcos Rogério também mencionou recursos destinados ao Hospital Municipal mas não confirmou se vai de fato fazer o estado assumir o hospital e vai de fato fazer o mesmo um Hospital Regional:
“Em Rolim de Moura, eu coloquei para Rolim de Moura R$ 6 milhões para o prefeito Aldo Júlio, com os nossos vereadores aí, para fazer a reforma e adequação do hospital de Rolim de Moura, que é um hospital importante, sendo um hospital regional também”, declarou.
Na mesma gravação, o então senador afirmou que os R$ 6 milhões estavam destinados e empenhados e relacionou a medida ao projeto de descentralização do atendimento estadual.
A expressão usada por Marcos Rogério ao classificar a unidade como “hospital regional” refere-se ao papel regional desempenhado pelo hospital no atendimento à população. Administrativamente, porém, o Hospital Amélio João da Silva permanece municipal. A Prefeitura mantém a unidade vinculada à Secretaria Municipal de Saúde (Semusa).
Cobrança é para que Estado assuma integralmente o hospital
O ponto central da reivindicação apresentada por Ivan Vasconcelos vai além da transferência de recursos, convênios ou realização de determinados procedimentos pelo Estado. A cobrança é para que o Governo de Rondônia assuma integralmente a unidade, transformando o atual Hospital Municipal Amélio João da Silva em um Hospital Regional estadual de fato, com estrutura, financiamento e gestão compatíveis com a demanda da Zona da Mata.
Hoje existem parcerias entre Município e Estado. Um exemplo é a descentralização das cirurgias ortopédicas: em dezembro de 2025, a Prefeitura informou que o município seria responsável pela internação, profissionais médicos e equipe de enfermagem, enquanto o Governo de Rondônia forneceria instrumentais e materiais cirúrgicos. A própria administração municipal destacou Rolim de Moura como município polo para atendimento da Zona da Mata.
A cobrança feita no vídeo, portanto, coloca em discussão uma mudança mais ampla: deixar de ter um hospital municipal que atende regionalmente para ter um Hospital Regional efetivamente assumido pelo Estado de Rondônia.
Declaração passa da campanha para o futuro governo
Com a eleição de Marcos Rogério, a resposta dada ainda durante a pré-campanha ganha um novo contexto político e administrativo.
O vídeo registra que o então pré-candidato reconheceu a importância regional do Hospital de Rolim de Moura e defendeu a descentralização da saúde. Agora, com a vitória nas urnas, a expectativa em torno da reivindicação é saber se o futuro Governo de Rondônia avançará para a estadualização completa do hospital, como defendido por lideranças do município, ou manterá o modelo de gestão municipal com apoio estadual por meio de convênios, repasses e serviços descentralizados.
A discussão deverá permanecer entre as principais pautas da saúde pública de Rolim de Moura e da Zona da Mata a partir de 2027.


