Brasileira é condenada à prisão perpétua na Itália por assassinato planejado do companheiro

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Foto: Reprodução

A brasileira Adilma Pereira Carneiro foi condenada à prisão perpétua pela Justiça italiana pelo assassinato de Fabio Ravasio, de 52 anos, morto em agosto de 2024 em Parabiago, na região da Lombardia, próxima a Milão. Segundo a sentença, ela teve papel central no planejamento do crime, que foi executado para aparentar um atropelamento com fuga.

O Tribunal de Assize de Busto Arsizio considerou Adilma culpada pela morte do companheiro. A Justiça concluiu que o homicídio foi premeditado e que interesses financeiros estavam entre as motivações, com patrimônio da vítima estimado em cerca de 3 milhões de euros.

A condenação é de primeira instância. A defesa da brasileira afirmou que pretende recorrer da decisão e sustenta a inocência da cliente.

Morte inicialmente parecia um acidente

Fabio Ravasio morreu em 9 de agosto de 2024. Ele estava de bicicleta quando foi atingido por um carro em Parabiago.

Inicialmente, o caso apresentou características de um atropelamento seguido de fuga. O avanço das investigações, entretanto, levou as autoridades italianas à conclusão de que a colisão havia sido preparada para provocar a morte da vítima e simular um acidente de trânsito.

Segundo a sentença, o homicídio envolveu planejamento, recrutamento de participantes e distribuição de tarefas entre as pessoas envolvidas. Os investigadores sustentaram que reuniões foram realizadas antes da execução do plano.

Na fundamentação da condenação, os magistrados apontaram Adilma como figura central na concepção, organização e execução do crime.

Filho da brasileira dirigia carro usado no crime

Outras sete pessoas foram condenadas pela Justiça italiana por participação no assassinato.

Entre elas está Igor Benedito, filho de Adilma, apontado como motorista do veículo utilizado para atingir Ravasio. Ele recebeu pena de 23 anos de prisão.

Massimo Ferretti, ex-companheiro da brasileira e apontado como participante do planejamento, foi condenado a 24 anos.

Marcello Trifone e Fabio Lavezzo também receberam prisão perpétua. Mohammed Dhaibi foi condenado a 22 anos, enquanto Mirko Piazza e Fabio Oliva receberam penas superiores a 14 anos.

De acordo com a investigação, os participantes exerceram diferentes funções na preparação e execução da emboscada, incluindo condução do veículo, monitoramento da vítima, controle do trânsito e comunicação entre integrantes do grupo.

Justiça aponta motivação financeira

A Justiça italiana concluiu que o interesse econômico teve papel central na decisão de matar Ravasio.

Segundo os magistrados, o objetivo era permitir que Adilma se beneficiasse do patrimônio deixado pela vítima. A sentença também menciona documentos relacionados aos filhos mais novos da brasileira e afirma que houve tentativa de apresentá-los falsamente como filhos de Ravasio para aumentar os benefícios patrimoniais decorrentes da morte.

O Ministério Público italiano descreveu o assassinato como resultado de um planejamento realizado durante meses.

Brasileira nega ter planejado assassinato

Durante o processo, Adilma negou as acusações e sustentou que não tinha motivos para matar Fabio Ravasio. A brasileira atribuiu a responsabilidade pelo planejamento a Massimo Ferretti, que também acabou condenado.

Após a sentença, o advogado Mattia Fontanesi reafirmou que sua cliente mantém a versão de inocência e informou que a defesa pretende recorrer em segunda instância.

Embora a condenação represente uma decisão judicial sobre a responsabilidade da brasileira e dos demais réus, o processo ainda poderá passar por revisão nas instâncias superiores da Justiça italiana.

Outra morte passou a ser investigada novamente

O caso também levou as autoridades italianas a retomarem a investigação sobre a morte de Michele Della Malva, ex-marido de Adilma, ocorrida em dezembro de 2011.

Na época, a morte foi atribuída a um infarto. Segundo informações divulgadas sobre a nova investigação, promotores passaram a analisar a hipótese de envenenamento.

Essa segunda investigação permanece distinta do processo pela morte de Fabio Ravasio. Até o momento, a reabertura da apuração sobre o falecimento de Della Malva não equivale a uma condenação ou conclusão de responsabilidade de Adilma naquele caso.

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