A Justiça do Rio de Janeiro determinou a prisão da empresária e ex-vereadora Verônica Costa, conhecida como Mãe Loira do Funk, após o trânsito em julgado da condenação por tortura contra o ex-marido Márcio Costa. Ela deverá cumprir 10 anos e 8 meses de prisão, inicialmente em regime fechado.
A Polícia Civil tentou cumprir o mandado nesta quarta-feira (23), na residência de Verônica, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio, mas ela não foi encontrada. Com a ordem judicial em aberto, passou a ser considerada foragida pela Justiça.
A ordem foi expedida pela juíza Daniele Lima Pires Barbosa, da 16ª Vara Criminal do Rio de Janeiro, depois que se esgotaram as possibilidades de recurso contra a condenação.
Caso começou com denúncia do ex-marido em 2011
O processo teve origem em fevereiro de 2011, quando Márcio Costa procurou a Polícia Civil e denunciou ter sido vítima de agressões e tortura.
De acordo com a investigação, Márcio teria sido imobilizado com correntes e cordas dentro de um banheiro e submetido a agressões e ameaças. A acusação sustentou que Verônica participou do crime com familiares.
Na época das investigações, Márcio relatou que sofreu agressões e teve um produto inflamável lançado sobre o corpo enquanto era ameaçado. Ele sofreu queimaduras de segundo grau e chegou a ser internado em uma unidade de terapia intensiva.
Verônica sempre negou as acusações. Em manifestações anteriores, afirmou que não participou da tortura e classificou a condenação como injusta.
Pena passou de 5 anos para 10 anos e 8 meses
A primeira condenação ocorreu em 2019, quando Verônica recebeu pena de 5 anos e 10 meses.
O Ministério Público recorreu e, em 2023, a 2ª Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro aumentou a condenação para 10 anos e 8 meses, estabelecendo o regime inicialmente fechado. A perda do mandato de vereadora também foi mantida.
Com o trânsito em julgado, a condenação tornou-se definitiva, levando à expedição do mandado para início do cumprimento da pena.
Outros quatro condenados no mesmo processo
Além de Verônica, outras quatro pessoas da família foram condenadas no processo.
Bruno Chaves Ribeiro recebeu pena de 10 anos e 8 meses. Tatiane Chaves Ribeiro, Bruno Marcelo Bahia Marques e Sebastião de Oliveira Evangelista foram condenados a 10 anos. As penas também deverão ser cumpridas inicialmente em regime fechado.
Até a atualização mais recente das informações consultadas, nenhum deles havia sido preso.
Quem é Verônica Costa, a Mãe Loira do Funk
Antes de entrar para a política, Verônica construiu uma trajetória diretamente ligada ao funk carioca.
Nascida e criada em uma comunidade da Zona Norte do Rio, próxima ao Morro do Juramento, ela conheceu o empresário Rômulo Costa aos 16 anos. Os dois tiveram os filhos Jonathan e Jennifer.
Verônica ganhou projeção ao lado de Rômulo nos bailes e programas ligados à Furacão 2000, uma das marcas mais conhecidas da história do funk carioca. A atuação na divulgação e defesa do gênero ajudou a consolidar o apelido de “Mãe Loira do Funk”.
A popularidade construída no funk abriu espaço posteriormente para sua entrada na política. Ela exerceu mandatos como vereadora no Rio de Janeiro e passou a defender, entre outras pautas, o reconhecimento e a valorização do movimento funk.
A trajetória que reuniu funk, televisão, atividade empresarial e política agora tem um novo capítulo com a determinação judicial para que comece a cumprir a pena definitiva pelo crime de tortura.


