Os Estados Unidos preparam a transferência de drones militares MQ-9 Reaper atualmente empregados na África para o comando responsável por operações na América do Sul e no Caribe. A movimentação faz parte de uma ampliação da presença militar norte-americana na região, em meio aos planos de novas ações contra o narcotráfico e grupos classificados por Washington como terroristas.
Segundo seis fontes familiarizadas com o planejamento ouvidas pela CNN, os equipamentos devem sair do Comando dos Estados Unidos para a África (AFRICOM) e passar para o Comando Sul (SOUTHCOM), responsável pelas operações militares norte-americanas em grande parte da América Latina e do Caribe.
Ainda não há definição pública sobre a quantidade de aeronaves que será transferida. Uma das fontes afirmou que a mudança poderá envolver a maioria dos MQ-9 atualmente vinculados às operações norte-americanas na África.
O Pentágono não comentou o planejamento revelado pela reportagem.
Drones podem fazer vigilância e ataques de precisão
O MQ-9 Reaper é uma aeronave não tripulada empregada em missões militares de inteligência, vigilância e reconhecimento, mas também possui capacidade para executar ataques de precisão.
Segundo as fontes ouvidas pela CNN, o reposicionamento ocorre antes de operações antidrogas e antiterrorismo planejadas para a América do Sul. Entre os países mencionados está o Equador, que neste ano começou a realizar ações militares com os Estados Unidos contra organizações designadas como terroristas.
Parte dos equipamentos ainda poderá seguir para o Oriente Médio. A possibilidade está em discussão depois de os Estados Unidos perderem ativos militares, inclusive drones MQ-9, durante a guerra contra o Irã.
EUA ampliam presença militar na região
A transferência dos drones integra uma movimentação militar mais ampla dos Estados Unidos no Hemisfério Ocidental.
No ano passado, os norte-americanos já haviam deslocado drones MQ-9, caças F-35 e pelo menos uma aeronave de ataque AC-130 para o Caribe durante a campanha contra embarcações suspeitas de envolvimento com o tráfico de drogas.
A nova fase ocorre enquanto o governo do presidente Donald Trump sinaliza interesse em ampliar operações terrestres realizadas em parceria com governos da América Latina.
O secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, estabeleceu a defesa do território norte-americano e do Hemisfério Ocidental como a principal prioridade da Estratégia Nacional de Defesa apresentada em janeiro.
Durante uma conferência realizada no Panamá em agosto, Hegseth citou Equador, Honduras, Guatemala, Jamaica e Colômbia entre os países que mantêm parcerias com Washington em ações contra grupos classificados pelo governo norte-americano como “narcoterroristas”.
Colômbia terá três MQ-9A Reaper
A Colômbia também aparece na expansão da cooperação militar.
Segundo informações publicadas pela CNN no início de setembro, o governo colombiano chegou a um acordo com os Estados Unidos para receber, por empréstimo, três drones MQ-9A Reaper.
As aeronaves deverão ser empregadas no monitoramento de corredores utilizados pelo narcotráfico e poderão participar de possíveis ataques de precisão.
O secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, também esteve recentemente na região e defendeu o fortalecimento das relações entre Washington e Bogotá.
Panamá recebeu outro tipo de drone
A movimentação não se limita aos MQ-9.
A Embaixada dos Estados Unidos no Panamá anunciou nesta quinta-feira (17) a entrega de mais de US$ 6 milhões em sistemas de drones de longo alcance ao país. Esses equipamentos são diferentes dos Reaper que estão sendo considerados para transferência da África.
Segundo os Estados Unidos, os equipamentos destinados ao Panamá serão utilizados para monitoramento de fronteiras remotas, proteção de corredores marítimos e combate às redes de tráfico de drogas e de pessoas.
Operações dos EUA já deixaram ao menos 230 mortos
A ampliação da presença militar acontece depois de meses de ações norte-americanas contra embarcações apontadas como ligadas ao narcotráfico no Caribe e no Pacífico Oriental.
Segundo a CNN, ataques conduzidos pelo Departamento de Defesa contra supostos narcotraficantes deixaram pelo menos 230 mortos.
A efetividade dessas ações é objeto de debate. Autoridades policiais e especialistas ouvidos anteriormente pela emissora afirmaram que ainda não está claro se os ataques produziram impacto duradouro sobre o fluxo de drogas na região. Entre as possibilidades levantadas está a adaptação das organizações criminosas, com mudança de rotas e métodos de transporte.
Nas últimas semanas, os Estados Unidos também passaram a utilizar outra estratégia: interceptar embarcações, retirar as tripulações e entregá-las a países parceiros antes de destruir os barcos.
Mesmo assim, os ataques contra embarcações tripuladas não foram abandonados. Segundo militares norte-americanos, três pessoas morreram em 9 de setembro durante um ataque contra uma embarcação que os EUA afirmaram estar envolvida com tráfico de drogas no Caribe.
Transferência preocupa militares responsáveis pela África
O deslocamento dos MQ-9 também produz preocupação dentro da estrutura militar norte-americana.
A retirada ocorre enquanto comandantes dos Estados Unidos alertam para a atuação de organizações como Estado Islâmico (ISIS) e al-Shabaab na África. Fontes ouvidas pela CNN demonstraram preocupação de que a transferência dos drones possa dificultar operações contra esses grupos no continente africano.
Mesmo diante desse cenário, a atual estratégia norte-americana coloca o Hemisfério Ocidental em posição de maior prioridade.
A quantidade de MQ-9 que efetivamente será enviada à América do Sul, os locais onde as aeronaves ficarão baseadas e todas as missões que poderão executar ainda não foram oficialmente detalhados pelo governo dos Estados Unidos.


