A morte da brasileira Kathlyn Izabel Becker, de 28 anos, natural de Ji-Paraná (RO), permanece cercada de dúvidas. A jovem foi encontrada morta em um quarto de hotel em Zagreb, capital da Croácia, no dia 22 de agosto de 2026, após viajar à Europa em busca de uma oportunidade de trabalho.
A causa da morte ainda não foi esclarecida. A certidão de óbito emitida em Zagreb registra a causa como não identificada, e a família procurou a Polícia Federal para pedir auxílio na apuração das circunstâncias do caso.
Viagem começou com proposta de trabalho
Segundo relato da família, Kathlyn deixou o Brasil em 29 de abril com destino inicialmente à Sérvia, após receber uma proposta de emprego. A intenção era trabalhar no exterior para melhorar a situação financeira da família e ajudar o pai, que enfrenta osteomielite e necessita de uma prótese.
Ao chegar à Sérvia, entretanto, a oportunidade de trabalho não teria se concretizado. Conforme as informações apresentadas pelos familiares, Kathlyn seguiu posteriormente para a Croácia.
A mãe da jovem, Geruza Becker, relatou que a filha demonstrou preocupação depois que o trabalho na Sérvia não deu certo. A família afirma ainda que Kathlyn vinha recebendo ameaças antes da morte, informação que integra o relato dos parentes e deverá ser esclarecida pelas autoridades.
Família perdeu contato antes de receber notícia da morte
Os familiares deixaram de conseguir contato com Kathlyn no fim de agosto e buscaram auxílio da representação brasileira na Croácia.
Posteriormente, receberam a informação de que ela havia sido encontrada morta dentro do quarto de um hotel em Zagreb em 22 de agosto.
Inicialmente, segundo a mãe, a família recebeu a informação de que a jovem poderia ter sofrido um ataque cardíaco. Essa hipótese, contudo, não foi confirmada como causa da morte. A documentação emitida posteriormente registrou a causa como desconhecida.
Exames no Brasil também não determinaram causa
Após uma campanha organizada por familiares e amigos para custear o traslado, o corpo de Kathlyn chegou a Rondônia em 13 de setembro.
Em Porto Velho, um novo exame necroscópico foi realizado a pedido da Polícia Federal. Segundo informações divulgadas sobre o caso, essa análise também apontou causa indeterminada.
A perícia explicou que o intervalo superior a 20 dias desde a morte e o fato de o corpo já ter passado por uma necropsia na Croácia dificultaram a avaliação no Brasil.
Amostras de material biológico foram coletadas e encaminhadas para exames toxicológicos complementares, cujos resultados poderão contribuir para esclarecer as circunstâncias da morte.
Família aguarda laudos da Croácia
O advogado da família, Joaci Ferreira da Silva, solicitou ao órgão médico-legal de Zagreb acesso ao laudo completo da necropsia e aos exames laboratoriais realizados na Croácia.
A informação recebida pela defesa é de que os resultados podem levar de três a quatro meses para serem concluídos. O caso também foi registrado junto à polícia de Zagreb, que reteve pertences pessoais da brasileira como parte dos procedimentos de investigação.
A família também busca assistência jurídica para acompanhar os procedimentos realizados no exterior.
A Polícia Federal, procurada pela imprensa, informou que não comenta eventuais denúncias recebidas nem confirma a existência ou o andamento de possíveis procedimentos ou investigações em curso.
Kathlyn foi sepultada em Ji-Paraná
Depois do traslado para Rondônia, Kathlyn foi sepultada no dia 14 de setembro, no Cemitério da Saudade, em Ji-Paraná. Familiares e amigos haviam organizado uma arrecadação para conseguir trazer o corpo de volta ao Brasil.
Agora, a família aguarda os resultados dos exames e busca esclarecer o que aconteceu com a jovem durante sua passagem pela Europa.
Até esta quinta-feira (24), não havia causa oficialmente determinada para a morte nem informação de pessoa presa por eventual envolvimento no caso.


