Em ano de eleição, RO-010, RO-383 e acessos a Alto Alegre acumulam manutenções e reforçam cobrança por novo asfalto

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Foto: Reprodução

A RO-010 é um dos exemplos mais visíveis de um problema que se repete nas rodovias estaduais da Zona da Mata de Rondônia: estradas que voltam periodicamente ao cronograma do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem e Transportes (DER-RO) para receber tapa-buracos, fresagem, remendos e outras intervenções de manutenção.

Para quem utiliza essas vias, a discussão vai além de fechar os buracos que aparecem no pavimento. Trechos da RO-010 e da RO-383, que liga Rolim de Moura a Alta Floresta d’Oeste, além do trecho que liga a São Felipe do Oeste, possuem histórico de sucessivas recuperações. Na região de Alto Alegre dos Parecis, a RO-490 também voltou a receber manutenção em 2026.

O questionamento que cresce à medida que as eleições de 2026 se aproximam é sobre a durabilidade dessas intervenções e a necessidade de soluções estruturais nos segmentos mais deteriorados.

Na região da zona da mata existe parlamentares que assumem as diversas indicações politicas na regional do DER de Rolim de Moura, o que acaba atrasando o progresso da região, pois eles tendem a realizar serviços de tapas buracos e outros serviços para buscar a autopromoção politica na região, infelizmente este caso é rotineiro.

RO-010 volta a receber tapa-buracos

Em fevereiro de 2026, o Governo de Rondônia iniciou mais uma manutenção na RO-010. No trecho de aproximadamente 60 quilômetros entre Rolim de Moura e Nova Brasilândia d’Oeste, os serviços foram descritos oficialmente como remendos superficiais, conhecidos como tapa-buracos.

O histórico da rodovia mostra que esse tipo de intervenção não é novidade. A estrada já recebeu operações semelhantes em anos anteriores, além de serviços mais profundos em determinados pontos.

A própria Assembleia Legislativa registrou, ao divulgar a manutenção deste ano, uma cobrança por recapeamento total da RO-010 entre Rolim de Moura e Nova Brasilândia e também no trecho em direção a Pimenta Bueno.

Essa diferença é importante. Uma coisa é recuperar defeitos localizados com tapa-buracos. Outra é restaurar de maneira mais ampla uma pista envelhecida, marcada por sucessivos remendos e deformações.

Quando reparos são feitos repetidamente, a superfície pode ficar irregular, principalmente nos pontos de transição entre o pavimento antigo e as áreas recuperadas. Para o motorista, o resultado percebido é uma pista com ondulações, remendos e diferenças de nível, além de falta de sinalização asfáltica.

RO-383 liga Rolim de Moura a Alta Floresta e também acumula intervenções

Outro corredor importante da Zona da Mata é a RO-383, responsável pela ligação entre Rolim de Moura, Santa Luzia d’Oeste e Alta Floresta d’Oeste.

Em maio de 2025, o Governo de Rondônia informou que mais de 35 quilômetros da rodovia já haviam recebido manutenção. O trabalho incluía fresagem do asfalto deteriorado, aplicação de emulsão asfáltica e CBUQ. As equipes haviam avançado entre Rolim de Moura e Santa Luzia e seguiam em direção a Alta Floresta.

Mas a RO-383 já havia passado pelo mesmo tipo de serviço anteriormente.

Em 2021, o Governo do Estado divulgou manutenção entre Santa Luzia e Alta Floresta com fresagem de buracos, emulsão asfáltica e aplicação de massa. Na época, o próprio Executivo classificou parte do trabalho como tapa-buracos.

Ou seja, anos depois, a mesma ligação regional continuou demandando novas intervenções.

Em fevereiro de 2026, a necessidade de uma solução mais ampla para a RO-383 voltou ao debate público. Uma indicação parlamentar cobrou do Governo o recapeamento da rodovia entre Rolim de Moura e Alta Floresta d’Oeste, paralelamente aos pedidos relacionados à RO-010.

Alto Alegre também convive com manutenção das rodovias

A região de Alto Alegre dos Parecis apresenta outro exemplo.

Em janeiro de 2026, o Governo anunciou manutenção asfáltica em 25,17 quilômetros da RO-490, rodovia de acesso ao município. Segundo o Executivo, os trabalhos estavam sendo executados pela Usina de Asfalto de Rolim de Moura.

Meses depois, outra frente de serviço foi aberta na mesma RO-490, conhecida como Linha P-40. Em abril, o DER iniciou recuperação e manutenção de 84 quilômetros entre as rodovias 135 e 370, passando pelas ligações de Alto Alegre dos Parecis com Flor da Serra e Vila de São Luiz e pelo acesso em direção a Porto Rolim de Moura do Guaporé.

Nesse segmento, que não corresponde integralmente a uma rodovia asfaltada, os trabalhos envolveram patrolamento, reconformação da plataforma e encascalhamento.

A precariedade dos acessos da região já havia chegado à própria Assembleia Legislativa. Em pronunciamento registrado em 2025, foram relatadas condições ruins na RO-370 e RO-490, com cobrança por patrolamento e cascalhamento após avaliação de que serviços anteriores não haviam sido suficientes.

Manutenção necessária não encerra discussão

Nenhuma rodovia permanece em boas condições indefinidamente sem conservação. Tapa-buracos, fresagem, recapeamento e manutenção das estradas não pavimentadas fazem parte da rotina necessária de qualquer órgão rodoviário.

O problema é diferente: saber se a solução escolhida é compatível com o nível de deterioração de cada trecho.

Quando uma estrada retorna sucessivamente para manutenção, cabe ao poder público demonstrar tecnicamente se ainda é economicamente adequado continuar realizando reparos localizados ou se chegou o momento de recuperar a estrutura do pavimento ou refazer novamente do zero..

Na RO-010, essa discussão já aparece até nas solicitações oficiais por recapeamento total. Na RO-383, o trecho entre Rolim de Moura e Alta Floresta também voltou a ser objeto de pedido por recapeamento depois de receber diferentes manutenções ao longo dos anos.

Em ano eleitoral, tapa-buracos também ganha visibilidade política

A proximidade das eleições torna necessária atenção especial à maneira como essas intervenções são apresentadas à população.

É comum que deputados estaduais divulguem operações do DER como atendimento de indicações apresentadas por seus gabinetes. Na Zona da Mata, registros oficiais mostram essa associação em serviços realizados na RO-010 e em outras rodovias regionais.

Apresentar indicações e cobrar providências do Governo faz parte da atuação parlamentar. Isso não muda, porém, a origem pública da estrutura utilizada: máquinas, servidores, combustível, massa asfáltica e demais recursos empregados pelo DER pertencem ao Estado ou são custeados pelo orçamento público.

Por isso, o eleitor pode olhar além da fotografia de uma equipe fechando buracos ou do anúncio de que determinado parlamentar “conseguiu” uma manutenção.

A pergunta mais importante é o que foi efetivamente resolvido.

Cobrança deve ser por estrada durável

RO-010, RO-383 e os acessos estaduais de Alto Alegre dos Parecis são essenciais para deslocamentos entre municípios, comunidades rurais e áreas produtivas da Zona da Mata.

A conservação dessas estradas não deveria ser avaliada apenas pela quantidade de operações anunciadas, mas pela qualidade e durabilidade do pavimento entregue.

Quantas vezes determinado trecho recebeu tapa-buracos nos últimos anos? Quanto foi investido? Quanto tempo duraram os reparos? Existe levantamento técnico sobre a estrutura da pista? Quais segmentos precisam de recapeamento? Há trechos em que a base necessita ser reconstruída?

São informações que permitem diferenciar manutenção rotineira de uma política efetiva de recuperação da malha rodoviária.

Com as eleições chegando, o anúncio de mais uma operação de tapa-buracos pode render exposição política. Para quem trafega diariamente pela Zona da Mata, entretanto, o resultado que interessa é outro: rodovias seguras, regulares e com soluções capazes de durar além do período eleitoral.

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