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Santiago Peña é preso após impeachment no Paraguai; escândalo bancário derruba presidente

Redação Rondônia Direto
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, que também foi sócio do Ueno Bank até 2025 • Brasília, DF 16/05/2023 José Cruz/ Agência Brasil
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O ex-presidente do Paraguai Santiago Peña foi detido pela polícia na noite desta sexta-feira (6 de novembro de 2026), poucas horas depois de o Senado aprovar seu impeachment, encerrando seu governo em meio a uma grave crise política e financeira.

A detenção foi determinada pelo Ministério Público paraguaio, que investiga suspeitas de irregularidades relacionadas ao Ueno Bank, instituição financeira cujo colapso afetou aproximadamente 3 milhões de clientes no país.

Peña deverá cumprir prisão domiciliar enquanto permanece à disposição das autoridades responsáveis pela investigação.

A destituição do presidente foi aprovada por 44 senadores, sem votos contrários entre os parlamentares presentes. Com a saída de Peña, o vice-presidente Pedro Alliana assumiu a Presidência do Paraguai.

Polícia detém Santiago Peña após decisão do Senado

A prisão ocorreu poucas horas depois da votação que afastou definitivamente Santiago Peña do comando do país.

Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, o Ministério Público determinou a detenção do ex-presidente no âmbito das investigações sobre o escândalo financeiro que provocou o fechamento do Ueno Bank.

A ordem também atingiu Carlos Dagoberto Carvallo Spalding, ex-presidente do Banco Central do Paraguai.

Peña ficará sob custódia domiciliar enquanto os investigadores avançam na apuração das suspeitas.

A detenção não representa condenação criminal. As responsabilidades individuais ainda deverão ser analisadas pelas autoridades competentes.

Senado aprova impeachment por 44 votos

A votação que resultou na destituição de Santiago Peña ocorreu nesta sexta-feira (6), após dias de tensão política e protestos relacionados à crise bancária.

O processo havia avançado na Câmara dos Deputados, que aprovou a acusação contra o então presidente.

No Senado, os 44 parlamentares presentes votaram pela saída de Peña.

O presidente havia anunciado na quinta-feira (5) a intenção de renunciar ao cargo. Entretanto, a renúncia precisava ser aceita pelo Congresso, que decidiu prosseguir com o processo de impeachment.

Peña não compareceu pessoalmente à sessão final e foi representado por seus advogados.

A conclusão do julgamento político resultou na perda do mandato presidencial.

Entenda o escândalo envolvendo o Ueno Bank

A crise teve início após o Banco Central do Paraguai iniciar o processo de liquidação do Ueno Bank, instituição pertencente ao Grupo Vázquez.

O banco encerrou suas atividades na terça-feira (3), depois que foram identificados problemas nos índices de solvência relacionados a empréstimos concedidos a empresas vinculadas.

A instituição possuía aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, valor equivalente a aproximadamente R$ 4,6 bilhões, segundo a cotação utilizada na reportagem da CNN Brasil.

Entre os recursos mantidos no banco estavam valores relacionados ao Instituto de Previdência Social do Paraguai.

O fechamento da instituição provocou dificuldades para clientes acessarem seus recursos, desencadeando manifestações e aumentando a pressão sobre o governo.

Ex-presidente foi acionista de grupo ligado ao banco

Santiago Peña, economista que assumiu a Presidência em 2023, foi acionista do grupo controlador do Ueno Bank até março de 2025.

A antiga participação empresarial passou a ser questionada por parlamentares da oposição após o agravamento da crise financeira.

Entre as suspeitas apresentadas estão possíveis conflitos de interesses, favorecimento regulatório, irregularidades na administração de recursos previdenciários e falhas na fiscalização da instituição.

As acusações fazem parte das investigações e não constituem, por si só, comprovação de responsabilidade criminal.

Peña nega ter cometido irregularidades.

Antes de deixar o cargo, ele defendeu que os responsáveis por eventuais ilegalidades fossem responsabilizados e pediu prioridade à proteção dos clientes prejudicados.

Pedro Alliana assume Presidência do Paraguai

Com a destituição de Santiago Peña, o então vice-presidente Pedro Alliana assumiu o comando do Paraguai, com a responsabilidade de concluir o mandato presidencial previsto até agosto de 2028.

Integrante do Partido Colorado, Alliana também enfrentou questionamentos políticos durante a crise.

Na quinta-feira (5), a Câmara dos Deputados rejeitou uma tentativa de impeachment contra ele.

O novo governo assume em meio à pressão para restabelecer o acesso dos clientes aos recursos depositados no Ueno Bank e esclarecer as suspeitas de irregularidades financeiras.

Crise política e financeira mobiliza o Paraguai

O caso provocou manifestações populares e ampliou o debate sobre a fiscalização das instituições financeiras e a relação entre autoridades públicas e grupos empresariais.

Além das investigações envolvendo Santiago Peña, as autoridades paraguaias apuram a atuação de outros agentes públicos e dirigentes ligados ao sistema financeiro.

A crise representa uma mudança significativa no cenário político do país, com a destituição de um presidente eleito, a posse de seu sucessor e a abertura de uma nova etapa de investigações criminais.

Até o momento, Santiago Peña permanece sob prisão domiciliar, sem condenação definitiva pelos fatos investigados.

Fontes: CNN Brasil, Reuters e Associated Press, 6 de novembro de 2026.

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