A Polícia Civil de Rondônia confirmou a prisão de dez pessoas durante a Operação Quirinus, deflagrada nesta sexta-feira, 6 de novembro de 2026, em Rolim de Moura. Durante a ação, também foram apreendidas aproximadamente cinco armas de fogo, mais de R$ 20 mil em dinheiro, drogas e animais utilizados em rinhas de galos.
Os resultados foram apresentados durante uma coletiva de imprensa realizada após o cumprimento das ordens judiciais na Unisp local..
Segundo os delegados responsáveis pela investigação, a operação chegou à sua quinta fase e tem como objetivo desarticular uma estrutura de tráfico de drogas que, conforme a Polícia Civil, estaria vinculada à facção criminosa Comando Vermelho (CV).
As autoridades também revelaram que investigam a utilização de rinhas de galos e apostas ilegais como possíveis mecanismos de movimentação e lavagem de dinheiro em benefício da organização criminosa.
Sete prisões preventivas e três flagrantes
Durante a coletiva, os delegados apresentou o balanço inicial das prisões realizadas.
Segundo ele, foram cumpridos sete mandados de prisão preventiva e 21 mandados de busca e apreensão.
Além das prisões determinadas pela Justiça, outras três pessoas foram presas em flagrante durante o cumprimento das buscas.
Com isso, dez pessoas foram presas na operação, conforme o balanço apresentado pela Polícia Civil.
As equipes também recolheram objetos relacionados às investigações e animais que, segundo a corporação, eram utilizados em rinhas de galos.
O número definitivo de animais apreendidos não foi informado na coletiva.
Mais de R$ 20 mil, drogas e aproximadamente cinco armas de fogo
Um dos delegados que participaram diretamente do cumprimento dos mandados relatou que, em um dos principais alvos da operação, os policiais encontraram mais de R$ 20 mil em espécie, incluindo notas de R$ 50 e R$ 100.
No mesmo endereço, foram localizados entorpecentes, rádio transmissor e balança.
O investigado que estava no imóvel foi preso preventivamente e também autuado em flagrante, segundo o relato apresentado na coletiva.
Outro delegado informou que as equipes apreenderam uma quantidade considerada significativa de entorpecentes, especialmente maconha.
O peso exato das drogas ainda não havia sido contabilizado.
A Polícia Civil também relatou a apreensão de aproximadamente cinco armas de fogo.
Os materiais serão analisados para aprofundar as investigações sobre a atuação da organização criminosa.
Polícia aponta ligação do tráfico com o Comando Vermelho
Durante a coletiva, os delegados afirmaram que a principal finalidade da Operação Quirinus é combater um núcleo de tráfico de drogas associado ao Comando Vermelho, facção criminosa com origem no Rio de Janeiro.
De acordo com os investigadores, a organização exerceria forte influência sobre o comércio de entorpecentes em Rolim de Moura e em municípios da região.
A polícia sustenta que a estrutura investigada buscava impor controle territorial e estabelecer um monopólio sobre a venda de drogas.
As investigações apontaram uma divisão de funções entre fornecedores, intermediários e revendedores.
Conforme a nota oficial divulgada antes da coletiva, foram identificadas duas frentes principais de comercialização.
Uma delas operava por meio de um sistema de “disk-entrega” de maconha, cocaína e crack, com pedidos coordenados em tempo real e pagamentos realizados por Pix.
A outra envolvia o fornecimento e a revenda de maconha em pontos fixos conhecidos como bocas de fumo.
Os delegados afirmaram que as investigações foram intensificadas na região nos últimos meses e que novas operações poderão ocorrer conforme a análise dos materiais apreendidos.
Rinhas de galos seriam usadas para movimentar dinheiro da facção
Um dos pontos de maior destaque da coletiva foi a investigação sobre a relação entre rinhas de galos, apostas ilegais e a movimentação financeira atribuída ao Comando Vermelho.
Os delegados explicou que a operação não foi desencadeada apenas para combater rinhas de animais.
Segundo ele, a suspeita é de que integrantes da facção utilizassem essas atividades para movimentar e possivelmente lavar dinheiro relacionado às ações criminosas.
A Polícia Civil investiga se recursos provenientes do tráfico eram empregados na organização das rinhas e se os valores arrecadados com as apostas retornavam à estrutura da facção.
A hipótese de lavagem de dinheiro foi apresentada pelos investigadores e ainda depende da conclusão das apurações.
Investigadores relatam apostas em dólar e participação de pessoas nos Estados Unidos
Durante a entrevista, os delegados também apresentaram informações sobre o alcance das apostas realizadas nas rinhas.
Segundo a Polícia Civil, os eventos seriam transmitidos ao vivo pela internet, permitindo a participação de apostadores de outras localidades e até dos Estados Unidos.
Os investigadores afirmaram ter identificado apostas em dólar.
Em alguns imóveis vistoriados, as equipes encontraram materiais de divulgação com bandeiras do Brasil e dos Estados Unidos.
De acordo com a versão apresentada na coletiva, os valores movimentados nessas apostas poderiam ser destinados à estrutura do Comando Vermelho.
A polícia ainda deverá aprofundar a análise dos registros financeiros e dos materiais apreendidos para esclarecer a origem, o destino e o volume total dos recursos.
Dez investigados por rinhas receberam medidas cautelares
Além das prisões relacionadas à operação, a Polícia Civil informou que dez investigados do núcleo de rinhas de galos receberam medidas cautelares.
Entre as determinações estão a proibição de participar de rinhas e a restrição de contato entre os envolvidos.
Essas medidas não devem ser confundidas com as dez prisões confirmadas durante a coletiva.
Segundo os investigadores, o objetivo é impedir a continuidade das atividades apuradas enquanto o procedimento policial prossegue.
Quinta fase da Quirinus é resultado de investigações anteriores
Os delegados destacaram que a operação desta sexta-feira representa a quinta fase da Operação Quirinus.
A nova ofensiva é resultado do aprofundamento de investigações anteriores conduzidas pela DRACO2 contra estruturas de organizações criminosas em Rondônia.
Durante a coletiva, também foi mencionada a relação com trabalhos investigativos anteriores realizados em Rolim de Moura, incluindo a denominada Operação Descarrilho.
Segundo um dos delegados, essas investigações anteriores já haviam resultado no cumprimento de mais de cem medidas cautelares.
Os responsáveis pela operação afirmaram que o material recolhido nesta sexta-feira poderá fundamentar novas ações policiais.
DRACO2 apresenta balanço de oito toneladas de drogas apreendidas nos últimos anos
Durante a coletiva, um dos representantes da Polícia Civil apresentou números referentes ao trabalho de enfrentamento às facções criminosas realizado nos últimos anos.
Conforme o balanço informado, as ações da DRACO2 resultaram em aproximadamente:
- 8 toneladas de drogas apreendidas;
- 300 pessoas presas;
- Mais de 600 buscas realizadas.
Esses números correspondem ao histórico de operações citado pela autoridade policial e não são resultados exclusivos da Operação Quirinus realizada nesta sexta-feira.
A Polícia Civil destacou que o combate às organizações criminosas continuará no estado.
Policiais de várias cidades participaram da operação
A Operação Quirinus mobilizou equipes de diferentes regiões de Rondônia.
Durante a coletiva, foi destacada a participação de policiais civis de Vilhena, Ji-Paraná, Cacoal, Porto Velho e outras localidades.
Os representantes das forças de segurança ressaltaram que a integração entre as unidades é fundamental para enfrentar organizações criminosas com atuação regional.
Além da DRACO2, a operação contou com apoio da Secretaria de Estado da Segurança, Defesa e Cidadania (Sesdec), do Ministério Público de Rondônia, por meio do Gaeco, da DECCO, do DPI, da Idaron e de órgãos ambientais.
Na entrevista, também foi destacada a participação da Secretaria Municipal do Meio Ambiente de Rolim de Moura.
A ação integra as atividades da Rede Nacional de Combate às Organizações Criminosas (Renorcrim).
Investigações continuam e novas operações não estão descartadas
A Polícia Civil informou que os trabalhos não se encerram com as prisões e apreensões realizadas nesta sexta-feira.
Os investigadores darão continuidade à análise de celulares, documentos e demais materiais recolhidos, conforme os elementos disponíveis nas investigações.
A corporação considera possível que novas fases sejam deflagradas a partir das informações obtidas.
Os investigados do núcleo de entorpecentes poderão responder por tráfico de drogas e associação para o tráfico, crimes cujas penas máximas, somadas, chegam a 25 anos de reclusão.
Eventuais responsabilidades por lavagem de dinheiro, apostas ilegais ou outras infrações dependerão das provas reunidas e do enquadramento jurídico das condutas.
Veja o vídeo da rinha de galos encontrada em Rolim de Moura:





