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TSE aceita ação do Novo contra Lula e Alckmin por suspeita de abuso de poder político nas eleições de 2026

Redação Rondônia Direto
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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) • Foto: Ricardo Stuckert
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O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) autorizou, nesta quinta-feira (5 de novembro de 2026), o andamento de uma ação apresentada pelo Partido Novo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), por suspeita de abuso de poder político durante as eleições presidenciais deste ano.

A decisão foi tomada pelo corregedor-geral da Justiça Eleitoral, ministro Ricardo Villas Bôas Cueva, que considerou que o processo reúne os requisitos legais para ser analisado.

Lula e Alckmin, reeleitos em outubro, deverão ser notificados e terão cinco dias para apresentar defesa.

O Novo pede a cassação dos registros ou diplomas da chapa e a declaração de inelegibilidade dos dois políticos por oito anos.

A decisão do TSE não representa condenação, cassação de mandato ou reconhecimento de que houve abuso de poder político. Nesta etapa, a Justiça Eleitoral apenas admitiu o processamento da ação.

Partido Novo questiona 35 medidas do governo Lula

A Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) foi apresentada em 19 de outubro e contesta 35 medidas provisórias e decretos adotados pelo governo federal entre 1º de janeiro e 16 de outubro de 2026.

Segundo o Novo, essas iniciativas criaram ou ampliaram benefícios sociais e econômicos em um período próximo às eleições.

A legenda afirma que 12 das 35 medidas foram editadas durante o período de campanha eleitoral, entre agosto e outubro.

Para o partido, a concentração de anúncios e benefícios em ano eleitoral pode indicar utilização da estrutura pública para favorecer a reeleição de Lula e Alckmin.

Essa interpretação, entretanto, é uma alegação apresentada pela sigla e ainda será examinada pelo TSE.

Bolsa Família, combustíveis e Desenrola estão entre medidas contestadas

Entre as iniciativas questionadas pelo Novo estão:

  • Reajuste de 15,04% do Bolsa Família, programa que alcança aproximadamente 19,29 milhões de famílias;
  • Ampliação de subsídios aos combustíveis;
  • Programa de renegociação de dívidas Desenrola 3.0;
  • Proibição das apostas on-line;
  • Fim da chamada taxa das blusinhas, aplicada a determinadas compras internacionais.

O partido sustenta que o volume de medidas adotadas em 2026 é equivalente à soma de iniciativas semelhantes identificadas nos três anos anteriores.

Conforme o levantamento apresentado na ação, foram 17 medidas em 2023, quatro em 2024 e 14 em 2025.

O Novo argumenta que o calendário dos anúncios e o alcance nacional das políticas públicas devem ser analisados em conjunto para verificar se houve desvio de finalidade eleitoral.

Ação cita quase R$ 100 bilhões em créditos extraordinários

Outro ponto levantado pelo Novo envolve os recursos destinados às medidas questionadas.

Segundo o partido, o governo abriu 13 créditos extraordinários relacionados às iniciativas em 2026, totalizando aproximadamente R$ 99,7 bilhões.

A legenda pede que a Justiça Eleitoral considere os valores, a proximidade dos anúncios com a votação e o possível benefício político à chapa presidencial.

O montante citado corresponde aos créditos apontados na ação e não representa, por si só, dinheiro desviado ou prejuízo comprovado aos cofres públicos.

A investigação deverá avaliar se os atos governamentais respeitaram os limites legais ou se foram utilizados com finalidade eleitoral irregular.

Por que o TSE aceitou a ação?

Na decisão, o ministro Ricardo Villas Bôas Cueva considerou que a petição apresentada pelo Novo descreve fatos específicos, identifica as medidas contestadas e reúne elementos suficientes para permitir o exercício do direito de defesa.

O corregedor também destacou que a ação foi apresentada dentro do prazo legal, antes da diplomação dos eleitos.

Com isso, determinou a notificação de Lula e Alckmin para que apresentem suas manifestações no prazo de cinco dias.

Após receber as defesas, o ministro poderá examinar pedidos de informações a órgãos públicos e definir os próximos passos da investigação.

O processo está registrado sob o número 0603194-42.2026.6.00.0000.

O que Lula e Alckmin dizem sobre as acusações?

Em entrevista ao SBT no dia 19 de outubro, Lula defendeu as medidas anunciadas durante o período eleitoral.

O presidente afirmou que não deixaria de conceder benefícios à população apenas porque o país estava em período de eleições.

Ele também argumentou que as políticas continuariam atendendo aos brasileiros independentemente do resultado das urnas.

Em outro processo relacionado ao reajuste do Bolsa Família, a campanha petista sustentou que a medida representou uma recomposição inflacionária, sem criação de um novo benefício ou ampliação do público atendido.

A defesa também argumentou que o programa se enquadra nas exceções legais aplicáveis a políticas sociais autorizadas por lei e com execução orçamentária anterior ao ano eleitoral.

Esses argumentos foram apresentados em procedimentos distintos e não substituem a defesa formal que Lula e Alckmin deverão apresentar na ação do Novo.

Até a publicação da reportagem consultada, não havia manifestação específica da defesa da chapa sobre a nova decisão.

Lula e Alckmin podem perder os mandatos?

A ação apresentada pelo Novo prevê a possibilidade de cassação dos registros ou diplomas eleitorais e inelegibilidade por oito anos.

Entretanto, essas consequências somente poderão ocorrer caso o processo avance e a Justiça Eleitoral conclua, após a análise das provas e das defesas, que houve irregularidade grave suficiente para justificar as sanções previstas em lei.

A admissão da investigação não altera automaticamente o resultado das eleições de 2026 nem afasta Lula e Alckmin de seus cargos.

O TSE deverá examinar os fatos apresentados pelo partido, os documentos reunidos e os argumentos dos investigados antes de qualquer julgamento de mérito.

O que acontece agora?

O próximo passo será a apresentação das defesas do presidente e do vice-presidente.

Em seguida, a Justiça Eleitoral poderá determinar a produção de provas, solicitar informações a órgãos públicos e realizar outras diligências necessárias ao esclarecimento das acusações.

Não há, até o momento, decisão que reconheça a prática de abuso de poder político pela chapa.

A investigação está em fase inicial e não existe cassação determinada pelo TSE.

Fontes: Tribunal Superior Eleitoral (TSE), CNN Brasil e Reuters — 5 de novembro de 2026.

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