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Presidente do Paraguai era de direita e aliado de Trump? Entenda o perfil de Santiago Peña

Redação Rondônia Direto
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Foto: Kevin Lamarque/Reuters e Foto: José Cruz/ Agência Brasil
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O presidente do Paraguai, Santiago Peña, que anunciou sua renúncia nesta quinta-feira (5 de novembro de 2026), é um político identificado com a direita conservadora e mantinha relações próximas com o governo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Peña chegou ao poder em agosto de 2023 pelo Partido Colorado, uma das principais forças conservadoras da América do Sul. Economista de formação, ele defende a economia de mercado, a iniciativa privada e posições tradicionais em temas sociais.

A aproximação com Trump também se tornou uma característica de sua política externa, marcada pelo fortalecimento da cooperação entre Paraguai e Estados Unidos.

Santiago Peña era de direita ou de esquerda?

Santiago Peña era de direita. Sua filiação ao Partido Colorado, suas posições conservadoras e sua defesa da economia de mercado sustentam essa classificação.

O Partido Colorado, oficialmente chamado Associação Nacional Republicana, é uma legenda tradicionalmente identificada com o conservadorismo paraguaio.

Peña foi eleito em 2023 com o apoio do ex-presidente Horacio Cartes, uma das figuras mais influentes do partido.

Durante a campanha, o então candidato defendeu propostas de estímulo aos investimentos privados, geração de empregos e manutenção de políticas econômicas favoráveis ao setor empresarial.

No campo dos costumes, adotou posições contrárias à legalização do aborto e ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, além de criticar o uso de linguagem neutra na educação.

Apesar desse posicionamento, Peña procurava apresentar sua atuação como pragmática.

Em entrevista ao jornal argentino Clarín, em 2023, reconheceu que seu perfil poderia ser visto como mais à direita, mas afirmou defender uma combinação entre economia de mercado e presença do Estado em serviços essenciais.

Portanto, embora procurasse evitar uma identificação com posições ideológicas extremas, sua trajetória política estava vinculada à direita conservadora paraguaia, e não à esquerda.

Peña era próximo de Donald Trump?

Sim. Santiago Peña era considerado um aliado político e diplomático de Donald Trump, especialmente pelo alinhamento entre os governos em questões de política externa e cooperação bilateral.

Segundo a CNN Brasil, essa aproximação foi reforçada por um acordo firmado entre Trump e Peña no fim de 2025 e posteriormente ratificado pelo Congresso paraguaio em março de 2026.

Outro sinal da proximidade ocorreu em outubro de 2026, quando o vice-secretário de Estado norte-americano, Christopher Landau, visitou o Paraguai.

Durante a agenda, Landau se reuniu com Peña e com o ministro das Relações Exteriores, Rubén Ramírez Lezcano.

O representante dos Estados Unidos destacou o elevado nível de cooperação entre os dois países.

A visita foi interpretada como mais uma demonstração de alinhamento entre os governos.

Essa relação permite classificar Peña como um aliado de Trump no cenário internacional, embora a proximidade diplomática não signifique que ambos concordassem em todas as políticas ou mantivessem necessariamente uma amizade pessoal.

Quem era Santiago Peña antes de chegar à Presidência?

Antes de ingressar na política partidária, Santiago Peña construiu carreira como economista.

Ele estudou no Paraguai, concluiu uma pós-graduação na Universidade Columbia, nos Estados Unidos, e trabalhou no Fundo Monetário Internacional (FMI).

Também ocupou cargos no Banco Central do Paraguai e foi ministro da Fazenda durante o governo de Horacio Cartes.

Sua carreira política ganhou força após a filiação ao Partido Colorado, em 2016.

Em 2023, venceu as eleições presidenciais contra Efraín Alegre, candidato de uma coalizão de oposição.

Peña assumiu a Presidência em agosto daquele ano, com mandato originalmente previsto até 2028.

Por que o presidente do Paraguai anunciou renúncia?

O anúncio de renúncia ocorreu após uma grave crise envolvendo o banco digital Ueno, que tinha aproximadamente 3 milhões de clientes.

A instituição passou por intervenção do Banco Central do Paraguai depois que foram identificados problemas relacionados aos índices mínimos de solvência.

O bloqueio das contas provocou protestos e aumentou a pressão sobre o governo.

Peña havia sido acionista do grupo controlador do banco até março de 2025, situação que passou a ser questionada pela oposição.

Parlamentares apresentaram acusações de possível conflito de interesses, manipulação regulatória e irregularidades envolvendo recursos públicos.

Essas acusações ainda dependem de investigação e não representam comprovação de responsabilidade criminal do presidente.

A crise também motivou a apresentação de um processo de impeachment.

Nesta quinta-feira (5), Peña anunciou sua intenção de deixar o cargo. A efetivação da renúncia depende dos procedimentos previstos na legislação paraguaia.

Relação com Trump não foi apontada como causa da renúncia

Apesar de Peña ser identificado com a direita e manter proximidade com o governo norte-americano, não há evidências nas informações divulgadas de que sua relação com Donald Trump tenha provocado a crise ou motivado diretamente sua saída.

O episódio está relacionado à situação financeira do banco Ueno, às antigas relações empresariais do presidente com o grupo controlador e à pressão política decorrente das investigações.

A trajetória de Santiago Peña reúne, portanto, três características importantes: sua identificação com a direita conservadora, sua aproximação com o governo Trump e sua saída anunciada em meio a uma crise bancária interna.

Fontes: CNN Brasil, Reuters, UOL, Clarín e CIDOB.

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