O presidente do Paraguai, Santiago Peña, anunciou nesta quinta-feira, 5 de novembro de 2026, sua renúncia à Presidência da República em meio a uma grave crise política e financeira provocada pelo colapso do banco digital Ueno.
A instituição financeira, que atendia aproximadamente 3 milhões de clientes, foi alvo de intervenção do Banco Central do Paraguai após a identificação de problemas em seus índices de solvência. A medida deixou correntistas sem acesso aos recursos e desencadeou manifestações no país.
A decisão de Peña ocorreu no mesmo dia em que a Câmara dos Deputados avançou com um processo de impeachment contra o presidente. O pedido de renúncia ainda precisa passar pelos procedimentos constitucionais do Congresso paraguaio.
Presidente afirma que renúncia busca preservar estabilidade do país
Santiago Peña comunicou sua decisão por meio de um pronunciamento divulgado nas redes sociais.
Segundo o presidente, a renúncia foi apresentada com o objetivo de preservar a estabilidade nacional, a paz social e o funcionamento das instituições democráticas.
Peña também pediu desculpas à população pelos efeitos da crise bancária e defendeu que a recuperação dos recursos dos depositantes seja tratada como prioridade.
O presidente, integrante do Partido Colorado, assumiu o governo em 2023 e tinha mandato previsto até 2028.
Entenda a crise do banco Ueno
A crise começou a se intensificar na terça-feira (3), quando o Banco Central do Paraguai iniciou procedimentos de intervenção e resolução do Ueno Bank.
De acordo com as informações divulgadas pelas autoridades financeiras, foram identificados problemas de solvência relacionados, entre outros fatores, a operações de crédito envolvendo empresas vinculadas ao grupo controlador da instituição.
O banco tinha cerca de 3 milhões de clientes e administrava aproximadamente US$ 850 milhões em recursos públicos, incluindo valores relacionados ao sistema previdenciário paraguaio.
Com a interrupção das operações, clientes enfrentaram dificuldades para acessar suas contas e movimentar dinheiro.
A situação provocou protestos e aumentou a pressão sobre o governo.
Ligações anteriores de Peña com grupo controlador aumentaram pressão
A crise também ganhou dimensão política devido às antigas relações empresariais do presidente com o Grupo Vázquez, ligado ao banco Ueno.
Peña foi acionista do grupo até março de 2025, segundo informações divulgadas pela imprensa internacional.
Parlamentares da oposição passaram a acusá-lo de possíveis conflitos de interesses e de irregularidades relacionadas à supervisão da instituição financeira e à administração de recursos públicos.
As acusações incluem suspeitas de manipulação regulatória e de favorecimento, mas não representam comprovação de responsabilidade criminal do presidente.
Peña negou irregularidades relacionadas à sua antiga participação societária e afirmou que os responsáveis por eventuais crimes devem responder à Justiça.
Crise levou à saída do presidente do Banco Central
Antes do anúncio da renúncia presidencial, a crise já havia provocado mudanças na direção do Banco Central do Paraguai.
O então presidente da autoridade monetária, Carlos Carvallo, apresentou sua renúncia na terça-feira (3), após solicitação de Santiago Peña.
Carvallo havia ocupado cargo de direção no banco Ueno antes de assumir o comando do Banco Central.
As autoridades paraguaias também iniciaram investigações sobre possíveis irregularidades na instituição financeira, com medidas judiciais envolvendo executivos ligados ao banco.
Câmara aprovou impeachment após anúncio da renúncia
A crise política teve outro desdobramento nesta quinta-feira (5).
Segundo a agência Associated Press, a Câmara dos Deputados do Paraguai aprovou, por 78 votos a zero, a acusação para o processo de impeachment de Santiago Peña, pouco depois do anúncio de sua renúncia.
O procedimento ainda depende da análise do Senado, enquanto o Congresso deverá tratar formalmente da saída do presidente.
Pelas regras de sucessão, o vice-presidente Pedro Alliana deverá assumir a Presidência após a efetivação da renúncia.
A situação política e financeira permanece em desenvolvimento, especialmente em relação ao ressarcimento dos clientes afetados e à continuidade das investigações.
Fontes: CNN Brasil, Reuters, Associated Press e ANSA — 5 de novembro de 2026.





