O Congresso do Paraguai suspendeu, na tarde desta quinta-feira (5 de novembro de 2026), a sessão conjunta convocada para analisar a renúncia apresentada pelo presidente Santiago Peña.
Segundo a CNN Brasil, a interrupção aconteceu depois que parlamentares da base governista deixaram o plenário, provocando falta de quórum para a votação.
A decisão mantém indefinida a situação política de Peña, que anunciou sua intenção de deixar o cargo em meio à crise financeira envolvendo o banco Ueno.
Enquanto a renúncia aguardava análise, a Câmara dos Deputados aprovou a acusação para o impeachment do presidente, por unanimidade, com 78 votos favoráveis.
O processo seguiu para o Senado.
Saída de deputados governistas interrompeu votação
A sessão conjunta do Congresso havia sido convocada para decidir sobre o pedido formal de renúncia de Santiago Peña.
O presidente anunciou a decisão por meio de um vídeo nas redes sociais e encaminhou uma carta ao Legislativo paraguaio.
No documento, justificou sua saída como uma tentativa de preservar a estabilidade do país, a paz social e o funcionamento das instituições democráticas.
Entretanto, a análise não foi concluída.
A saída de parlamentares governistas deixou o plenário sem o número necessário de integrantes para continuar a votação.
Com isso, a renúncia não havia sido formalmente aceita até a atualização da reportagem, às 18h48 desta quinta-feira.
Câmara aprova impeachment por 78 votos a zero
Paralelamente à discussão sobre a renúncia, a Câmara dos Deputados aprovou a acusação para o processo de impeachment de Santiago Peña.
A votação terminou com 78 votos favoráveis e nenhum contrário, encaminhando o procedimento ao Senado.
A oposição defende que o presidente seja afastado por impeachment, em vez de simplesmente ter sua renúncia aceita.
A diferença está nas consequências jurídicas e políticas de cada procedimento.
Pelas regras constitucionais paraguaias descritas pela CNN Brasil, ex-presidentes podem ocupar a condição de senadores vitalícios, sem direito a voto, mas com prerrogativas parlamentares.
A perda do cargo por impeachment impediria Peña de obter essa condição.
A aprovação na Câmara não representa, por si só, a conclusão do impeachment. A decisão definitiva ainda depende da tramitação no Senado.
Partido Colorado também apoiou afastamento
A crise provocou uma ruptura política significativa para Santiago Peña.
O Partido Colorado, legenda conservadora pela qual ele foi eleito presidente em 2023, anunciou apoio ao afastamento.
Horacio Cartes, presidente da sigla e ex-presidente do Paraguai, divulgou uma manifestação defendendo a preservação da ordem institucional.
O posicionamento evidencia a perda de apoio político enfrentada por Peña, inclusive entre integrantes de seu próprio partido.
Vice-presidente Pedro Alliana escapa de impeachment
A Câmara dos Deputados também analisou uma acusação contra o vice-presidente Pedro Alliana, mas rejeitou a proposta.
Foram 48 votos pela rejeição e 30 favoráveis ao prosseguimento do impeachment.
Com isso, Alliana permaneceu em condições de assumir a Presidência caso a saída de Peña seja efetivada.
O vice-presidente tem 52 anos e possui longa trajetória no Partido Colorado, incluindo mandatos parlamentares e passagem pela presidência da Câmara dos Deputados.
No entanto, até a última atualização consultada, não havia confirmação de que Alliana já tivesse assumido o governo.
Crise bancária desencadeou pressão contra Peña
A instabilidade política começou após a crise do Ueno Bank, instituição financeira ligada ao Grupo Vázquez.
O banco teve suas operações interrompidas na terça-feira (3), após o Banco Central do Paraguai identificar problemas nos índices de solvência relacionados a operações de crédito com empresas vinculadas.
A instituição atendia aproximadamente 3 milhões de clientes e concentrava cerca de US$ 850 milhões em depósitos públicos, incluindo recursos previdenciários.
Santiago Peña foi acionista do grupo controlador até março de 2025.
A oposição passou a acusá-lo de possíveis conflitos de interesses, irregularidades na supervisão bancária e problemas envolvendo recursos públicos.
Essas acusações estão sujeitas à apuração pelas autoridades competentes e não equivalem a uma condenação criminal.
Peña afirmou que eventuais responsáveis por irregularidades devem responder perante a Justiça e defendeu medidas para acelerar a recuperação dos recursos dos depositantes.
O que acontece agora no Paraguai?
O Paraguai enfrenta dois procedimentos políticos distintos.
De um lado, o Congresso precisa concluir a análise da renúncia apresentada pelo presidente. De outro, o Senado deverá examinar o processo de impeachment aprovado pela Câmara.
A definição desses procedimentos será determinante para estabelecer como ocorrerá a sucessão presidencial e quais consequências institucionais serão aplicadas a Santiago Peña.
Até a última atualização da CNN Brasil, a sessão sobre a renúncia estava suspensa, e o impeachment ainda não havia sido concluído.
Fonte: CNN Brasil — reportagem atualizada em 5 de novembro de 2026, às 18h48.





