Mendonça determina afastamento preventivo do diretor-geral da Polícia Federal

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Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues • 24/03/2024 REUTERS/Ueslei Marcelino

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou nesta terça-feira (8) o afastamento preventivo de Andrei Rodrigues do cargo de diretor-geral da Polícia Federal. A decisão também alcança o diretor de Inteligência Policial da corporação, Leandro Almada da Costa.

Além dos afastamentos, Mendonça determinou a abertura de uma investigação de natureza penal e administrativo-disciplinar na Corregedoria da Polícia Federal para apurar a atuação de Andrei Rodrigues à frente da instituição.

O ministro pediu ainda a realização de uma sessão virtual extraordinária da Segunda Turma do STF, prevista para esta terça-feira, para que o colegiado analise a medida de afastamento.

A decisão ocorre em meio ao agravamento da crise institucional envolvendo integrantes do Supremo e a cúpula da Polícia Federal, que ganhou novos desdobramentos após a divulgação de informações relacionadas às investigações do caso Banco Master.

Relatórios da PF estão no centro dos questionamentos

A tensão aumentou depois que vieram a público relatórios de inteligência produzidos pela Polícia Federal sobre a atuação de André Mendonça. Segundo apuração da CNN, quatro documentos foram elaborados ao longo de atritos entre integrantes da corporação e o gabinete do ministro.

Os relatórios não apresentam assinatura nem data e foram descritos como análises de cenário, com ressalva de que não possuíam valor probatório. Os próprios documentos registram avaliações classificadas com baixo grau de confiança.

O material foi requisitado pelo ministro Alexandre de Moraes em 1º de setembro, depois que Mendonça retirou o sigilo de um relatório da Polícia Federal contendo mensagens e registros de contatos entre o empresário Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, e Moraes.

Posteriormente, Moraes encaminhou ao presidente do STF, Edson Fachin, questionamentos sobre a atuação de Mendonça nas investigações relacionadas ao Banco Master e às fraudes no INSS. O procedimento passou a ser centralizado pela Presidência do Supremo.

Fachin já havia solicitado explicações

Antes da nova decisão de Mendonça, Fachin havia dado prazo para que Moraes, Mendonça, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e Andrei Rodrigues apresentassem informações sobre diferentes pontos da crise.

Entre as questões analisadas estão os procedimentos adotados pela Polícia Federal ao encontrar informações envolvendo autoridades com foro no Supremo, eventuais acessos a documentos particulares, possível divulgação de informações protegidas por sigilo e as circunstâncias de diligências determinadas no âmbito das investigações.

A Presidência do STF pretende reunir as manifestações antes de definir os próximos passos relacionados às acusações e questionamentos apresentados pelos envolvidos.

A determinação de afastamento de Andrei Rodrigues é preventiva e será submetida à análise da Segunda Turma do Supremo. A medida, portanto, não representa conclusão definitiva sobre eventual responsabilidade criminal ou administrativa do diretor-geral da Polícia Federal.

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