Exames periciais identificaram inconsistências entre a versão apresentada pelo policial militar Vinicius Costa Silva, de 26 anos, e as circunstâncias da morte da esposa, Larissa da Cruz Morata, de 29 anos, encontrada com um ferimento provocado por disparo de arma de fogo dentro da residência do casal, em Embu das Artes, na Grande São Paulo. O militar teve a prisão temporária decretada durante a investigação.
Larissa foi encontrada morta na manhã de domingo (6), no banheiro da suíte da casa onde vivia, no bairro Chácaras Bartira. Policiais militares foram acionados por volta das 11h, e uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) constatou a morte. O caso foi registrado inicialmente pela Polícia Civil como morte suspeita, sem autoria definida.
O marido relatou à polícia que havia chegado à residência por volta das 6h e discutido com Larissa sobre o término do relacionamento. Segundo a versão apresentada por ele, depois da discussão foi dormir e acordou posteriormente ao ouvir um disparo. O PM declarou ter encontrado a esposa caída no banheiro.
A arma envolvida na ocorrência pertence ao próprio policial e é de uso particular. Conforme o boletim de ocorrência, trata-se de um revólver Taurus calibre .357. O armamento foi encontrado sob o corpo de Larissa depois que ela foi movimentada pela equipe médica. Também foram apreendidos no banheiro um coldre, carregador, munições e um estojo de munição deflagrado.
Exames colocaram dinâmica da morte sob investigação
A hipótese de um disparo autoinfligido chegou a ser considerada inicialmente, mas os investigadores não conseguiram estabelecer com segurança que essa tenha sido a dinâmica da morte.
Segundo a delegada Bruna Caracho Crippa, exames necroscópicos revelaram elementos incompatíveis com pontos da versão apresentada pelo marido, inclusive em relação à trajetória do projétil. Esses resultados, somados aos depoimentos de testemunhas e a outros aspectos apurados durante a investigação, fundamentaram o pedido de prisão temporária do policial.
Vinicius foi preso durante o velório de Larissa. A medida é cautelar e não representa condenação ou conclusão definitiva sobre a responsabilidade do investigado. A Polícia Civil continua trabalhando para estabelecer como ocorreu o disparo.
Família contesta hipótese de suicídio
Familiares afirmaram não acreditar que Larissa tenha tirado a própria vida. A avó da vítima relatou que, por volta das 9h de domingo, recebeu uma mensagem em que a neta informava ter se separado de Vinicius. Aproximadamente duas horas depois, Larissa foi encontrada morta.
O boletim de ocorrência registra que o casal havia conversado sobre o encerramento do relacionamento nas horas anteriores à morte. A irmã do policial também estava na residência e permanecia com o filho de 2 anos do casal.
Balística e exames residuográficos devem ajudar a esclarecer o caso
A investigação reúne diferentes perícias para reconstruir o que aconteceu dentro da residência. Foram requisitados exames residuográficos nas mãos de Larissa e Vinicius para verificar a presença de resíduos relacionados a disparos de arma de fogo.
O revólver, as munições e os demais materiais recolhidos foram encaminhados ao Instituto de Criminalística para análises balísticas. O exame necroscópico também avalia características da lesão e a trajetória do projétil.
A Polícia Civil pretende confrontar os resultados da perícia no imóvel, dos exames balísticos, dos testes residuográficos e da necropsia para determinar a posição da vítima e da arma no momento do disparo e verificar se os elementos encontrados são compatíveis com um tiro autoinfligido ou indicam a participação de outra pessoa.
A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo informou que as circunstâncias da morte continuam sob investigação. A CNN informou que busca manifestação da defesa do policial e mantém espaço aberto para posicionamento.



