O Ministério das Relações Exteriores convocou a encarregada de negócios da Argentina no Brasil, María Emilia Cortés, para pedir esclarecimentos sobre a possível participação de autoridades argentinas na saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do território brasileiro.
A reunião ocorreu na tarde de quinta-feira (29 de outubro), na sede do Itamaraty, em Brasília. A informação foi divulgada inicialmente pelo UOL e confirmada pela CNN Brasil nesta sexta-feira (30).
O encontro aconteceu após Flávio Bolsonaro deixar o Brasil, passar pela Argentina e seguir para os Estados Unidos, apesar de uma determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para que entregasse seus passaportes e não saísse do país.
A convocação busca esclarecer se integrantes do governo do presidente argentino Javier Milei tiveram alguma participação na viagem. Até o momento, não há confirmação oficial de envolvimento do governo argentino na saída do senador.
Diplomata argentina foi recebida no Itamaraty
María Emilia Cortés foi recebida pelo embaixador João Marcelo Galvão de Queiroz, responsável pelo departamento que acompanha as relações do Brasil com países da América do Sul.
Segundo fontes diplomáticas ouvidas pela imprensa, a conversa foi breve e teve como objetivo apresentar formalmente o pedido de informações ao governo argentino.
A iniciativa foi tratada como um procedimento diplomático, sem a intenção de ampliar publicamente as tensões entre Brasília e Buenos Aires.
Cortés está à frente da representação argentina no Brasil desde agosto, quando o embaixador Daniel Raimondi deixou o posto em meio ao desgaste das relações entre os governos de Lula e Milei.
Saída de Flávio Bolsonaro é investigada
A Polícia Federal apura as circunstâncias da viagem de Flávio Bolsonaro aos Estados Unidos.
Segundo informações divulgadas pela imprensa, o senador atravessou a fronteira entre Brasil e Argentina pela região de Foz do Iguaçu (PR) e Puerto Iguazú, antes de embarcar em uma aeronave particular.
A viagem ocorreu após uma decisão do STF que determinou a entrega de seus documentos de viagem e restringiu sua saída do território brasileiro.
As autoridades brasileiras buscam esclarecer como o parlamentar conseguiu deixar o país e se houve auxílio de terceiros.
Reportagem do UOL apontou que Santiago Caputo, assessor próximo de Javier Milei, teria participado da organização da saída de Flávio Bolsonaro. A informação, porém, ainda depende de esclarecimentos oficiais sobre a atuação de integrantes do governo argentino.
Governo Lula tenta evitar agravamento da crise diplomática
A convocação ocorre em um momento de relações desgastadas entre os governos brasileiro e argentino.
As divergências políticas entre Luiz Inácio Lula da Silva e Javier Milei já haviam provocado uma redução no nível da representação diplomática entre os dois países.
Apesar do novo episódio, a orientação do governo brasileiro, segundo as reportagens, é buscar informações sem transformar a situação em um confronto diplomático de maior proporção.
Por enquanto, não foi anunciada uma medida adicional contra o governo argentino.
A apuração sobre a saída de Flávio Bolsonaro continua, e eventuais providências diplomáticas dependerão das informações reunidas pelas autoridades brasileiras.
Fontes: CNN Brasil e UOL, em reportagens publicadas em 30 de outubro de 2026.





