Delegados da Polícia Federal reagiram à proposta defendida pelo ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal (STF), de impedir que integrantes da corporação atuem nos gabinetes dos ministros da Corte. Nos bastidores, policiais ouvidos pela CNN avaliam que a discussão desvia a atenção da crise institucional que envolve o Supremo e investigações relacionadas ao Banco Master.
A proposta de Gilmar foi apresentada ao presidente do STF, Edson Fachin, e deverá ser novamente discutida entre os ministros. Na avaliação do decano, a presença de delegados nos gabinetes pode provocar interferências na condução de investigações e contribuir para novos conflitos envolvendo a Corte e a Polícia Federal.
Atualmente, segundo informações publicadas pela CNN, dois delegados trabalham no gabinete do ministro André Mendonça. Outros dois estão vinculados aos gabinetes de Alexandre de Moraes e Luiz Fux.
A discussão ganhou força durante a escalada das divergências envolvendo Mendonça, integrantes da PF e outros ministros do Supremo. O relator concentra investigações de grande repercussão, entre elas apurações relacionadas às fraudes nos descontos de benefícios do INSS, ao Banco Master e ao financiamento do filme “Dark Horse”.
Delegados contestam relação entre servidores e crise
Integrantes da PF ouvidos reservadamente pela CNN contestaram a ideia de que a presença de delegados nos gabinetes seja a origem do problema. Um dos argumentos apresentados é que concentrar o debate na cessão desses profissionais retiraria o foco dos fatos que desencadearam a atual crise. A crítica representa a avaliação das fontes ouvidas pela emissora e não uma posição institucional formal da Polícia Federal.
A discussão sobre servidores da corporação cedidos a outros órgãos, porém, é anterior ao atual conflito no Supremo. Em junho, a CNN informou que o Ministério da Justiça e Segurança Pública havia expedido cerca de 100 ofícios para aproximadamente 50 órgãos com o objetivo de promover o retorno de integrantes das forças federais que estavam desempenhando atividades fora das instituições de origem.
Naquele momento, carreiras da PF já demonstravam preocupação com a possibilidade de retirada de delegados dos gabinetes do Supremo. Segundo dados apresentados por representantes da categoria à CNN, havia 52 delegados cedidos, número equivalente a menos de 3% do quadro da corporação.
Crise envolve investigações sob relatoria de Mendonça
A nova discussão ocorre após o agravamento das divergências entre integrantes do STF e da Polícia Federal. Um dos episódios recentes foi a retirada, por André Mendonça, do sigilo de relatório relacionado ao caso Banco Master, no qual aparecem mensagens envolvendo o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes.
A cúpula da PF também manifestou insatisfação com a condução de algumas das investigações sob responsabilidade de Mendonça, enquanto integrantes do gabinete do ministro apontam demora da corporação no andamento de determinadas apurações.
Nesse ambiente de tensão, Gilmar sustenta que restringir a presença de delegados nos gabinetes poderia reduzir riscos de interferência e de novos conflitos. Já os policiais ouvidos pela CNN rejeitam vincular a atual crise à atuação dos servidores cedidos e consideram que a mudança de foco não enfrenta os fatos que deram origem ao embate.
A proposta ainda está no campo das discussões internas e, conforme as informações disponíveis, não corresponde a uma decisão administrativa já implementada pelo Supremo.



