Hildon questiona leilão da Caerd às vésperas da eleição e cobra maior transparência

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Foto: Reprodução

O candidato ao Governo de Rondônia Hildon Chaves (Federação União Progressista) questionou a realização do leilão para concessão dos serviços de água e esgoto atualmente relacionados à Companhia de Águas e Esgotos do Estado de Rondônia (Caerd), previsto para 29 de setembro. Durante debate entre candidatos promovido pela REMA TV, em Porto Velho, ele criticou principalmente a proximidade do procedimento com as eleições de 2026.

Ao abordar o assunto, Hildon afirmou considerar estranho que uma decisão com efeitos de longo prazo sobre o saneamento avance poucos dias antes da votação. O candidato cobrou maior discussão pública sobre o modelo e as consequências da concessão.

“Há décadas que a população da capital e de todo o Estado sofre com a falta de saneamento básico, mas fazer essa privatização na mesma semana da eleição, sem um grande debate público, revela que existe algo de muito podre em toda essa história”, declarou.

A declaração representa uma avaliação política de Hildon e não comprova a existência de irregularidade no processo. Nas fontes consultadas, não foram apresentadas decisões de órgãos de controle ou documentos que confirmem ilegalidade relacionada ao questionamento feito pelo candidato.

Processo prevê concessão por 35 anos

O projeto envolve a concessão regionalizada dos serviços públicos de abastecimento de água e esgotamento sanitário. Em junho, o Colegiado Microrregional da Microrregião de Águas e Esgotos de Rondônia autorizou oficialmente o prosseguimento do projeto e a publicação do edital de licitação.

Segundo informações divulgadas sobre o certame, o leilão está marcado para 29 de setembro, na B3, em São Paulo, com valor estimado em R$ 8,47 bilhões e contrato previsto para 35 anos.

Apesar de Hildon e algumas publicações utilizarem o termo “privatização da Caerd”, informações apresentadas anteriormente pelo Governo de Rondônia indicam que o procedimento é de concessão dos serviços de água e esgoto à iniciativa privada, e não de venda da companhia. O CNPJ da estatal deverá permanecer ativo, inclusive em razão de seus passivos.

A concessionária vencedora ficará responsável pelos investimentos previstos para expansão dos serviços. Informações divulgadas sobre a modelagem apontam investimentos superiores a R$ 4 bilhões durante os 35 anos do contrato, com concentração de grande parte das intervenções nos primeiros sete anos.

Candidato compara situação com concessão da BR-364

Durante o debate, Hildon também comparou o processo envolvendo o saneamento com a concessão da BR-364. Na avaliação do candidato, uma decisão de grande impacto tomada sem discussão pública suficiente poderia produzir consequências difíceis de reverter.

“Estamos vendo a privatização da BR-364 se repetir diante dos nossos olhos e ninguém fala nada; mas depois da eleição, quando a ficha cair, vai ser tarde demais”, afirmou.

O candidato disse ainda considerar “muito estranha” a velocidade do processo e questionou por que uma decisão dessa dimensão está sendo conduzida na etapa final do atual governo.

“O meu questionamento é que todo esse movimento ocorra justamente no apagar das luzes, depois de atravessar praticamente todos os oito anos de mandato sem tocar no assunto. Justo agora, seis dias antes da eleição”, declarou.

As críticas de Hildon ao processo não começaram no debate desta semana. Em julho, quando ainda era apresentado como pré-candidato, ele já havia questionado publicamente a condução do projeto e defendido uma análise aprofundada pelos órgãos de controle.

O futuro da prestação dos serviços de água e esgoto entra, assim, no debate eleitoral em Rondônia. Enquanto o processo oficial avança para a concessão regionalizada, Hildon cobra maior discussão sobre as condições, o momento e os impactos de um contrato previsto para vigorar por 35 anos.

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