A Polícia Federal e o Ministério Público de Rondônia (MPRO), por meio do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), deflagraram nesta sexta-feira (18) uma operação para investigar o vazamento de informações protegidas por segredo de Justiça relacionadas à Operação Reduto. A apuração também busca esclarecer ações que teriam sido adotadas para dificultar o cumprimento das medidas judiciais.
Ao todo, 11 mandados de busca e apreensão pessoal e domiciliar são cumpridos em Porto Velho e Ariquemes. As ordens foram expedidas pelo Tribunal de Justiça de Rondônia e incluem autorização para acesso e extração de dados armazenados em dispositivos eletrônicos e em nuvem.
A investigação concentra-se em possíveis crimes de violação de sigilo funcional, obstrução — ou embaraço — à investigação de organização criminosa e fraude processual. O objetivo desta etapa é descobrir a origem das informações sigilosas, identificar como elas foram transmitidas e reunir provas sobre eventual participação dos envolvidos.
Informações chegaram aos alvos antes da Operação Reduto
O caso começou a ser apurado em julho de 2026, depois que as autoridades identificaram indícios de que dados sobre a iminente deflagração da Operação Reduto haviam saído do ambiente protegido pelo segredo de Justiça.
Segundo a Polícia Federal, as informações chegaram ao conhecimento de alvos na noite anterior ao cumprimento das ordens judiciais. A constatação abriu uma nova linha de investigação para descobrir quem teve acesso aos dados e como ocorreu o repasse.
A Operação Reduto havia sido deflagrada para investigar suspeitas de fraude em licitações, desvio de recursos públicos e um possível esquema de “rachadinha” relacionado a servidores comissionados da Assembleia Legislativa de Rondônia (ALE-RO).
Entre os alvos da operação realizada em julho estava o presidente da Assembleia Legislativa, deputado estadual Alex Redano (Republicanos). A informação de que Redano foi alvo daquela etapa não significa, entretanto, que o parlamentar tenha sido identificado oficialmente como responsável pelo vazamento agora investigado.
Celulares teriam sido ocultados, trocados e formatados
O comportamento identificado antes da chegada das equipes policiais passou a integrar a investigação sobre uma possível tentativa de prejudicar as diligências.
Segundo informações divulgadas pela PF sobre o caso, foram encontrados indícios de desocupação de residências e de ocultação, substituição e formatação de aparelhos celulares. Também foram identificados o transporte de uma antena de internet via satélite e uma tentativa de hospedagem em nome de terceiro para ocultar alvos da ação policial.
Essas circunstâncias são analisadas no contexto da investigação sobre possível obstrução. A responsabilização criminal de cada pessoa dependerá da individualização das condutas e dos elementos reunidos no decorrer da apuração.
Buscas tentam reconstruir caminho das informações
Uma das prioridades da operação desta sexta-feira é estabelecer a chamada cadeia de transmissão dos dados sigilosos.
Na prática, PF e MPRO procuram identificar quem originalmente teve acesso às informações protegidas, por quais meios elas foram transmitidas e como chegaram aos alvos antes das buscas.
Os investigadores também procuram recuperar vestígios digitais que possam ajudar a reconstruir essa comunicação. O material recolhido durante o cumprimento das medidas será submetido a análises periciais e investigativas.
A autorização judicial para extração de informações de dispositivos eletrônicos e dados armazenados em nuvem integra esse trabalho de obtenção de elementos para a investigação.
Operação Reduto teve 19 mandados em três cidades
A investigação sobre o vazamento deriva diretamente da Operação Reduto, deflagrada em julho para apurar suspeitas envolvendo contratos públicos e recursos que teriam passado por contas de servidores comissionados.
Naquela ocasião, foram cumpridos 19 mandados de busca e apreensão em Ariquemes, Porto Velho e Manaus (AM). Em Ariquemes, a investigação alcançou servidores municipais, enquanto na capital rondoniense uma das frentes envolveu a Assembleia Legislativa.
Onze servidores foram afastados e duas pessoas foram presas durante a operação.
Alex Redano esteve entre os alvos das buscas da primeira ação. O então secretário-geral da Assembleia Legislativa, Rogério Gago da Silva, foi preso preventivamente e posteriormente exonerado do cargo.
A investigação da Operação Reduto teve início em 2024, depois que Relatórios de Inteligência Financeira do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) apontaram movimentações consideradas suspeitas envolvendo uma empresa de Manaus que mantinha contratos públicos em Rondônia.
Com o aprofundamento das apurações, a Polícia Federal informou ter identificado movimentações superiores a R$ 9 milhões consideradas incompatíveis com a capacidade econômica declarada pelos investigados.
Nova investigação mira vazamento e possível obstrução
A operação desta sexta-feira não se concentra diretamente no mérito das suspeitas originalmente investigadas pela Reduto. O foco agora está no possível rompimento do sigilo da investigação e nas ações realizadas após os alvos terem conhecimento antecipado das medidas.
PF e MPRO procuram estabelecer quem teve acesso às informações, quem eventualmente as repassou e quais pessoas teriam adotado medidas destinadas a prejudicar as diligências.
A comunicação oficial mais recente informa que os investigados poderão responder, conforme a responsabilidade individual apurada, pelos crimes investigados. As autoridades não apresentaram conclusão sobre a autoria do vazamento.


