Onze diretores da PF apoiam Andrei Rodrigues e colocam cargos à disposição após afastamento

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Diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues • 24/03/2024 REUTERS/Ueslei Marcelino

Onze diretores da Polícia Federal (PF) colocaram seus cargos à disposição nesta terça-feira (8) em reação ao afastamento preventivo do diretor-geral da corporação, Andrei Rodrigues, e do diretor de Inteligência Policial, Leandro Almada. Os dois foram afastados por decisão do ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Em manifestação conjunta, os integrantes da cúpula da PF declararam apoio a Andrei e Almada e contestaram as acusações envolvendo a atuação da instituição. Os cargos foram colocados à disposição do diretor-geral substituto, William Marcel Murad, que assumiu interinamente o comando da corporação.

A manifestação sustenta que Andrei possui trajetória profissional dedicada à Polícia Federal e afirma que críticas influenciadas por interesses político-eleitorais não poderiam comprometer sua reputação profissional. Os signatários também rejeitaram qualquer tentativa de atribuir aos dirigentes afastados ou à própria PF uma atuação que classificaram como não republicana.

Ao final do documento, os diretores formalizaram a decisão de disponibilizar seus cargos à nova direção. O gesto ocorre em meio à crise aberta na cúpula da Polícia Federal após a determinação de Mendonça.

Quem assinou a manifestação

O documento recebeu as assinaturas de 11 integrantes da direção da Polícia Federal, responsáveis por áreas estratégicas da instituição. Entre eles estão os responsáveis pelas diretorias de Investigação e Combate ao Crime Organizado e à Corrupção, Polícia Administrativa, Combate a Crimes Cibernéticos, Cooperação Internacional, Gestão de Pessoas, área Técnico-Científica, Administração e Logística, Ensino, Proteção à Pessoa, Tecnologia da Informação e Amazônia e Meio Ambiente.

Leandro Almada não aparece entre os signatários porque também foi afastado. William Murad, que ocupava a Diretoria-Executiva e assumiu interinamente o comando da PF, também não assinou a manifestação.

Murad havia se manifestado publicamente nesta terça-feira em defesa da direção da Polícia Federal e pregado serenidade diante da crise.

Afastamentos provocaram reação na cúpula da PF

Mendonça determinou preventivamente o afastamento de Andrei Rodrigues e Leandro Almada após analisar relatórios produzidos pela área de inteligência da Polícia Federal envolvendo a atuação de autoridades.

Na decisão, o ministro afirmou que os documentos indicariam um monitoramento sistemático e ilegal de sua atuação e de outras autoridades. Mendonça também determinou que a Corregedoria da PF instaure procedimentos nas esferas penal e administrativo-disciplinar para investigar as circunstâncias em que os relatórios foram produzidos.

A determinação inclui ainda a suspensão da produção ou do compartilhamento de relatórios de inteligência destinados a analisar decisões judiciais, condutas de integrantes da Advocacia-Geral da União ou a atuação da polícia judiciária. As afirmações sobre eventuais irregularidades integram a fundamentação da decisão de Mendonça e ainda estão sujeitas à apuração.

Julgamento no STF foi suspenso após pedido de vista

A decisão individual de Mendonça foi submetida à Segunda Turma do STF. O colegiado chegou a formar maioria para referendar o afastamento de Andrei, mas o julgamento foi interrompido após pedido de vista do ministro Gilmar Mendes.

Com a suspensão do julgamento, a determinação de afastamento preventivo permanece em vigor enquanto o caso aguarda nova deliberação.

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