As importações de soja pela China recuaram em agosto na comparação com o mesmo mês de 2025, embora tenham aumentado em relação a julho e continuem acima do volume registrado nos oito primeiros meses do ano passado. Os dados foram divulgados nesta terça-feira (8) pela alfândega chinesa.
Maior comprador mundial da oleaginosa, o país importou 12,14 milhões de toneladas em agosto. O volume representa queda de 1,1% diante das 12,28 milhões de toneladas adquiridas no mesmo mês de 2025.
Na comparação mensal, entretanto, houve crescimento. As compras ficaram 5,7% acima das registradas em julho, mostrando que o recuo anual não significou uma redução em relação ao mês imediatamente anterior.
Entre janeiro e agosto, a China importou 74,11 milhões de toneladas de soja, alta de 1,1% sobre as 73,33 milhões de toneladas registradas no mesmo período do ano passado.
Safra brasileira ajuda a sustentar oferta
A disponibilidade de soja brasileira está entre os fatores que sustentaram as importações chinesas neste ano. Segundo analistas ouvidos pela Reuters, a safra recorde do Brasil e o funcionamento da logística portuária contribuíram para os volumes registrados nos primeiros oito meses de 2026.
A demanda chinesa para produção de farelo destinado à alimentação animal também continua influenciando as compras.
O Brasil mantém posição relevante nesse mercado. Dados divulgados em agosto mostraram que, entre janeiro e julho, os embarques brasileiros de soja para a China haviam alcançado 44,53 milhões de toneladas, crescimento de 5,37% em relação ao mesmo período de 2025.
Em julho, especificamente, a China recebeu 9,78 milhões de toneladas do Brasil, volume 5,9% inferior ao registrado no mesmo mês do ano anterior. No mesmo período, as compras chinesas de soja dos Estados Unidos aumentaram 164% e chegaram a 1,11 milhão de toneladas.
Mercado prevê desaceleração na reta final do ano
Apesar do resultado acumulado positivo, analistas consultados pela Reuters avaliam que as importações chinesas podem perder ritmo nos últimos meses de 2026.
As projeções indicam que o volume importado durante todo o ano deverá ficar próximo ou ligeiramente abaixo do recorde de 111,83 milhões de toneladas registrado em 2025.
Entre os fatores considerados está uma possível redução da demanda por ração no quarto trimestre, relacionada à diminuição gradual do rebanho de matrizes suínas no país.
Outro componente observado pelo mercado é a retomada das compras chinesas nos Estados Unidos. Compradores estatais são estimados em mais de 11 milhões de toneladas adquiridas dos norte-americanos após uma reunião entre os líderes dos dois países realizada em maio.
A movimentação ocorre enquanto operadores acompanham as relações comerciais entre Pequim e Washington e a possibilidade de mudanças tarifárias que ampliem as alternativas de fornecimento para a China.
Para o Brasil, a evolução das compras chinesas permanece especialmente relevante diante da importância do país asiático como destino da soja nacional. Em agosto, embora as exportações brasileiras totais para a China tenham recuado, a soja continuou entre os produtos que sustentaram o crescimento das vendas externas do agronegócio brasileiro.



