Principais redes de TV dos EUA suspendem cobertura compartilhada de Trump após veto à CNN

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Presidente dos EUA, Donald Trump • REUTERS/Jonathan Ernst

As principais redes de televisão dos Estados Unidos suspenderam nesta segunda-feira (21) a cobertura compartilhada das atividades do presidente Donald Trump na Casa Branca. A decisão ocorreu depois que a CNN foi impedida pelo governo de cumprir sua escala no chamado pool de imprensa presidencial.

CNN, ABC, CBS, Fox News e NBC integram o principal grupo de emissoras responsáveis pela cobertura televisiva compartilhada da Presidência. Pelo sistema, as redes se revezam na produção de imagens e disponibilizam o material para outros veículos de comunicação.

A CNN estava escalada nesta segunda-feira para acompanhar Trump durante uma viagem a Nova York, onde o presidente participaria de compromissos relacionados à Assembleia Geral das Nações Unidas. Como a emissora estava impedida de acessar a Casa Branca, não conseguiu fornecer as imagens previstas pelo sistema.

Diante da situação, as demais emissoras decidiram não colocar outra rede no lugar da CNN.

Bryan Boughton, chefe do escritório da Fox News em Washington e atual responsável pelo pool de televisão, comunicou que, a partir desta segunda-feira, o grupo deixaria de cobrir os eventos presidenciais classificados para cobertura compartilhada. Ele explicou que a decisão ocorreu após a Casa Branca impedir a CNN de cumprir suas funções e informou que não seria designada uma substituta.

Na prática, a medida interrompe uma das principais fontes de imagens compartilhadas das atividades presidenciais realizadas na Casa Branca e em deslocamentos de Trump.

Decisão reúne CNN, ABC, CBS, Fox e NBC

A reação conjunta colocou lado a lado emissoras com diferentes linhas editoriais.

ABC, CBS, CNN, Fox e NBC afirmaram em posicionamento conjunto que existe interesse público na obtenção de informações independentes sobre o governo e defenderam que uma administração não deve restringir um veículo em razão de discordâncias com sua cobertura.

A decisão das redes ocorre três dias depois de Trump anunciar que CNN, MS NOW e Politico seriam proibidos de acessar a Casa Branca.

Na sexta-feira (18), o presidente acusou os três veículos de divulgar o que classificou como “fake news” e afirmou que outros poderiam ser incluídos posteriormente. Questionado sobre o motivo da medida, Trump disse que não havia um episódio específico e relacionou a decisão ao conjunto da cobertura realizada nos últimos anos.

No sábado (19), a determinação passou a ser efetivamente aplicada.

As jornalistas Betsy Klein, da CNN, Akayla Gardner, da MS NOW, e Cheyenne Haslett, do Politico tiveram o acesso negado ao tentarem entrar na Casa Branca. Segundo os veículos, as credenciais também foram recolhidas.

Veículos recorrem à Justiça

A suspensão da cobertura compartilhada acontece no mesmo dia em que CNN, MS NOW e Politico acionaram a Justiça contra Trump e integrantes de seu governo.

A ação foi apresentada em um tribunal federal de Washington, D.C., e pede uma medida temporária para suspender a proibição e restabelecer o acesso dos jornalistas à Casa Branca. Os três veículos argumentam que a retirada das credenciais viola direitos de liberdade de expressão e de imprensa protegidos pela Primeira Emenda da Constituição dos Estados Unidos.

O processo pode ter audiências de emergência ainda nesta semana.

Trump voltou a defender a decisão nesta segunda-feira. O presidente afirmou que sua administração não estaria atacando a liberdade de imprensa, mas combatendo aquilo que classifica como notícias falsas. Ele também alegou, sem apresentar evidências, que esse tipo de cobertura representa uma ameaça à segurança nacional.

A Associated Press e a Associação de Correspondentes da Casa Branca estão entre as organizações que criticaram a retirada das credenciais e defenderam o restabelecimento do acesso dos jornalistas.

A disputa agora ocorre simultaneamente em duas frentes: nos tribunais, onde os veículos tentam reverter a proibição, e na própria cobertura presidencial, após as principais redes de televisão decidirem não substituir a CNN enquanto ela estiver impedida de cumprir sua participação no sistema compartilhado.

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